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Setores solicitam criação da Câmara Setorial de Economia do Mar

| Negócios | O documento seguirá para aprovação do Conselho Gestor das Câmaras Setoriais e Temáticas da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece)

EDUARDO NEVES (de cinza), da Adece, discute com representantes de setores a criação da Câmara
EDUARDO NEVES (de cinza), da Adece, discute com representantes de setores a criação da Câmara (Foto: DIVULGAÇÃO)

O oceano é a fonte de diversas atividades econômicas. Dentre elas, a pescaria, energia eólica offshore (no mar), turismo e esporte náuticos. O litoral cearense possui atrativos naturais e geográficos suficientes para potencializar o recurso como um vetor do desenvolvimento local. Mas ainda há desafios. Ontem, setores e a Federação das Indústrias do Estado (Fiec) entregaram o plano para a criação de uma Câmara Setorial de Economia do Mar para a Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), do Governo do Estado. O encontro ocorreu no Iate Club, na Capital.

O objetivo é ajudar na ambiência, atrair investimentos público-privados e melhorar a infraestrutura da costa marítima. O documento ainda seguirá para a aprovação do Conselho Gestor das Câmaras Setoriais e Temáticas da Adece, no próximo dia 14. Na ocasião, serão definidos os nomes de presidente, vice e secretário executivo da Assembleia.

"A ideia é que os membros tenham autonomia para colocar os problemas. Assim, os diversos atores que acompanham essa economia poderão entender qual o melhor projeto e como podem evoluir", explica Eduardo Neves, presidente da Adece.

Se aprovada, a Câmara poderá elaborar planos de negócios e obter investimentos do Governo, que poderão também ter contrapartida da Fiec, setor privado e demais segmentos ligados à atividade. O engenheiro e pesquisador Augusto César Bastos, que está à frente do Santuário Marinho (projeto de mergulho com museus subaquáticos na Praia de Iracema), explica que a economia do mar se relaciona com tudo que pode se extrair das águas ou das funções exercidas no entorno.

"O Ceará é a esquina do mundo para quem vai para o Caribe, Estados Unidos e retorna para Europa", sublinha. Ele avalia que a demanda estrutural mais urgente é a construção de rampas, lugares para guardar os barcos e uma marina (centro portuário de recreação usado por iates e botes). "Os pescadores não têm como embarcar e desembarcar", aponta.

Rômulo Alexandre Soares, presidente do Conselho de Relações Internacionais da Fiec, evidencia que as características cearenses abrem as portas para o mercado Exterior. "Fortaleza tem uma grande vantagem: sua localização geográfica. Isso permite que a gente acabe tirando proveito de sermos fronteira com o Oceano Atlântico", cita. "Temos condições privilegiadas por sermos um entreposto nas áreas internacionais", conclui.

Outro ponto favorável é o Porto do Pecém. A sociedade de economia mista do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) entre o Governo do Ceará e a administradora do Porto de Roterdã (Holanda), a Port of Rotterdam, dá robustez ao ambiente de negócios. Sampaio Filho, líder do Observatório da Indústria da Fiec, acrescenta que "a rota do turismo também cria sinergia no setor".

Estão entre as indústrias e setores abarcados pela economia do mar os transportes marítimos, portos, logística e expedição, pesca, aquacultura e indústria do pescado, entretenimento, desporto, turismo e cultura e energia.

 

BRUNA DAMASCENO