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O ensurdecedor silêncio da Assembleia

01:30 | 11/01/2019
É chocante. O Ceará vivencia um quadro assustador de onda de ataques patrocinada pelo crime organizado, com ações que tentam emparedar o Governo e a sociedade, sem que a Assembleia tenha, até hoje, oferecido um só gesto de preocupação objetiva e real com a necessidade de fortalecer, pela presença dos seus representantes, uma frente de ação em defesa do Estado. Nada, mudez absoluta, omissão total.

Os argumentos colhidos pelo O POVO, ao procurar ontem os deputados que ficaram de plantão na, chamada, Comissão de Recesso, chegam a ser desconcertantes, politicamente. Alegar, por exemplo, que ninguém agiu porque o governador não provocou, impõe que se faça a pergunta necessária: e precisava? Claro que não, se trata de um dos três poderes que mantêm de pé a estrutura do Estado, o que exigiria daqueles que o integram pró-atividade absoluta e imediata em relação ao quadro de verdadeira comoção, especialmente naqueles primeiros dias.

A Comissão, que tem nove deputados definidos em processo de escolha feita  com o voto do plenário, deveria se reunir, conforme está no texto justificador de sua existência, em situações consideradas por seu presidente ou pelo comando da Assembleia como de alta relevância. Meu Deus, o que mais precisaria acontecer para que os nobres deputados se sentissem sensibilizados a, pelo menos, fazerem uma reunião?

É de um quadro nunca antes visto entre nós de que estamos falando, não se trata de uma crise qualquer na segurança pública, de apenas mais uma. Logo naquele endereço, onde a violência cotidiana é tão explorada em nome de estratégias e objetivos políticos! Apenas em nome deles, muitas vezes.

Todas as forças do Estado precisam estar empenhadas no esforço de restabelecimento da ordem entre nós. O Poder Legislativo entre elas, claro, injustificando-se que os próprios deputados minimizem o papel importante que lhes caberia dentro de uma grande articulação em defesa da sociedade. É escandaloso, até, que o parlamento nos tenha a oferecer, diante de tudo que tem acontecido, apenas o silêncio.

GUALTER GEORGE