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Grupo de Lima pressiona Nicolás Maduro com sanções

2019-01-05 01:30:00

O Grupo de Lima - bloco de países latino-americanos que monitoram a crise na Venezuela - não reconhecerá o novo mandato do presidente Nicolás Maduro, que começa no dia 10. Formado por países como Argentina, Brasil, Colômbia, Peru, Chile, o grupo exigiu ainda que Maduro deixe o cargo e transferira o poder para a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, mas sem poderes efetivos.

 

Em comunicado, os países do bloco prometeram uma série de sanções contra membros do governo venezuelano, além de pressionar o Tribunal Penal Internacional, em Haia, a investigar supostos crimes contra a humanidade cometidos pelo regime chavista.

 

"Espero que Maduro examine sua consciência e veja que é uma oportunidade que ele tem de deixar o poder com o mínimo de legitimidade", afirmou o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, em seu primeiro compromisso oficial à frente do Itamaraty. "Nossa prioridade é criar um fato político que possa induzir a uma mudança na Venezuela."

 

Para o chanceler peruano, Néstor Popolizio, a declaração de Lima tem uma mensagem política contundente. "Não reconhecemos a legitimidade do novo governo venezuelano", disse. "Pedimos a Maduro que não assuma a presidência, respeite as atribuições da Assembleia Nacional e transfira provisoriamente o poder até que ocorram novas eleições."

 

Outras medidas adotadas na declaração preveem o veto à entrada de funcionários de alto escalão do governo venezuelano, conforme a legislação de cada país. O México, agora governado pelo esquerdista Andrés Manuel López Obrador, foi o único país do grupo de 13 nações que não participou da reunião e não subscreveu a declaração.

 

Cada membro do Grupo de Lima também deve elaborar uma lista de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao governo venezuelano que terão bens congelados e serão proibidas de mover recursos nos países do bloco.

 

Os chanceleres também prometeram avaliar restrições a empréstimos ao governo venezuelano em organismos internacionais. Todos os participantes da reunião também expressaram preocupação com o êxodo de refugiados e com a grave crise econômica e humanitária na Venezuela.

 

Em dezembro, o Peru propôs que os países do Grupo de Lima rompessem relações diplomáticas com a Venezuela. "É muito importante que o Grupo de Lima continue pressionando a Venezuela para restaurar a democracia no país", concluiu o chanceler peruano, o único a dar declarações depois da reunião.

 

Maduro reelegeu-se em maio em uma eleição boicotada pela oposição, que, desde 2017, teve as funções legislativas suspensas pela Justiça chavista. O líder bolivariano antecipou a votação, prevista apenas para o fim do ano, por desconfiar que o agravamento da crise pudesse prejudicá-lo.

 

O sucateamento da petrolífera estatal PDVSA, a escassez de dólares e a queda do petróleo, em paralelo à impressão de dinheiro sem lastro, jogaram a Venezuela nos últimos anos numa espiral hiperinflacionária e de escassez de alimentos, produtos básicos e remédios.

Agência Estado

 

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