PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Comissão de Recesso ignora onda de ataques e não se reúne

O colegiado atua durante recesso parlamentar e pode ser convocado para discutir assuntos de "alta relevância"

01:30 | 11/01/2019
ANTÔNIO GRANJA diz que não convocou reunião nem foi convocado pelo Governo ou outros parlamentares Junior pio/ alce
ANTÔNIO GRANJA diz que não convocou reunião nem foi convocado pelo Governo ou outros parlamentares Junior pio/ alce

Nove deputados estaduais que integram a Comissão de Recesso da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (AL-CE) não se reuniram, debateram ou sugeriram qualquer ação que o Governo do Estado poderia tomar em meio à crise de segurança pública que, hoje, atinge o 10º dia.

 

Participam do grupo Antônio Granja (PDT), presidente do colegiado, Bruno Pedrosa (PP), Osmar Baquit (PDT), Fernando Hugo (PP), Walter Cavalcante (MDB), Rachel Marques (PT), Carlos Felipe (PCdoB), Mário Hélio (Patri) e Tomaz Holanda (PPS).

Granja admite até agora não ter convocado os deputados para discutir o contexto local e apresentar sugestões. O Governo do Ceará e os membros da Comissão, que também podem convocar o encontro, não o fizeram, afirma. Segundo ele, todas as medidas estão sendo tomadas pelo Governo. Assim, avalia, o momento é de aguardar.

Hugo diz que não há a "menor necessidade" da atuação do Legislativo por meio da Comissão neste momento. Segundo ele, a "ação imediata" tomada pelos órgãos de segurança estaduais e federais, do Judiciário local e das prefeituras atendem às demandas do Ceará. Hugo projeta participação dos deputados quando as atividades parlamentares retornarem, em fevereiro. 

"Será o tema de todos os que gostam de participar. Queremos ouvir que tipo de sequência dar-se-á nos presídios para a efetiva implantação de ações fortes".

Fora da Comissão, Renato Roseno (Psol) tem entendimento similar da participação imediata do Legislativo. Do ponto de vista emergencial, diz, as ações devem ser tomadas dentro da esfera do Executivo. Entretanto, a partir de uma perspectiva de médio ou longo prazo, ele afirma que a Assembleia 

deve participar da construção de novo pensamento sobre segurança pública.

Oposição à esquerda, ele entende que um dos empecilhos para que se transforme o atual quadro é a bancada "muito governista" eleita. Para ele, mesmo sendo base, há que se ter mais criticidade.

"Isso (ser base) não quer dizer alinhamento automático. Precisa ser mais crítica, exigir mais. (...) Fico olhando o que o Legislativo pode fazer nesse momento e estou debatendo isso todos os dias. O momento atual pede que as lideranças políticas estejam em diálogo, independe de convocação da Assembleia".

Na contramão de todos os deputados ouvidos, Fernanda Pessoa (PSDB) enfatiza que não se pode ficar de "braços cruzados". Ela pediu à Comissão convocação de todos os deputados para debate sobre os ataques. "O que custa se reunir pra discutir e traçar planos estratégicos em cada município e  em cada Regional?".

Às 19h09min, Zezinho Albuquerque (PDT), presidente da Casa, foi procurado por meio da assessoria, que disse que, "nesse horário não dá pra falar com ele, não". Em entrevista à Rádio do Governo, ele disse que confia no trabalho dos que fazem a segurança estadual.

CARLOS HOLANDA