PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Comandante defende exclusão de militares da reforma da Previdência

| EXÉRCITO | Pujol assumiu cargo ontem e defendeu que o sistema militar não seja modificado. Governo estuda proposta única de reforma

01:30 | 12/01/2019
GENERAL Edson Leal Pujol assumiu o comando do Exército ontem Valter Campanato/ Agência Brasil
GENERAL Edson Leal Pujol assumiu o comando do Exército ontem Valter Campanato/ Agência Brasil

O novo comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, defendeu ontem que o sistema previdenciário das Forças Armadas não deva ser modificado na reforma da Previdência. "A intenção minha, como comandante do Exército, se me perguntarem, nós não devemos modificar o nosso sistema", disse a jornalistas, após assumir o cargo, no Clube do Exército de Brasília. 

 

A equipe econômica está fechando a proposta de reforma da Previdência que  será submetida ao presidente Jair Bolsonaro, para posterior encaminhamento ao Congresso.

 

O general lembrou que as Forças Armadas não fazem parte do sistema de Previdência Social. "Isso está na Constituição. Há uma separação", argumentou.

 

Pujol destacou, no entanto, que os militares são disciplinados e estão prontos a colaborar com a sociedade. "Obedecemos às leis e à Constituição. Se houver uma decisão do Estado brasileiro de mudanças, iremos cumprir", acrescentou.

 

Segundo o comandante, as Forças Armadas vão colaborar com o esforço para equilibrar as contas públicas. "Os militares sempre tiveram participação no esforço da nação. Inclusive, quase 20 anos atrás, nós fomos os únicos que nos modificamos em prol disso aí. Os outros setores da sociedade não se modificaram. Havia uma intenção, mas fomos os únicos a nos modificarmos e fazer o sacrifício. Estamos sempre prontos a colaborar com a sociedade", afirmou.

 

O comandante da Marinha, Ilques Barbosa Junior, disse na última quarta-feira, 9, depois de assumir o cargo, que a discussão sobre a idade mínima de aposentadoria para militares precisa ser analisada com cuidado. Para o almirante de esquadra, profissionais que atuam na defesa do País têm exigências próprias. Ele também afirmou que a Marinha seguirá a orientação do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que está tratando da situação militar na reforma da Previdência.

 

Na cerimônia de transmissão de cargo do Comando da Marinha, o ministro da Defesa ressaltou que a reforma da Previdência deve avaliar regras diferenciadas para militares.

 

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse ontem que a tendência do governo é apresentar uma única proposta de reforma da Previdência para o Congresso. Com isso, não seriam levadas propostas avulsas para categorias específicas. "Estamos discutindo dentro da equipe técnica e a tendência é uma única proposta preparando o sistema para o futuro. É a tendência nesse momento", disse o ministro após solenidade no Clube do Exército.

 

Isso não significa que os militares serão incluídos na reforma preparada pelo governo Jair Bolsonaro. A possibilidade ainda está em estudo pela equipe técnica coordenada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

 

Segundo Lorenzoni, haverá uma "reunião preparatória" na próxima segunda-feira, 14, para tratar da reforma, mas a proposta só será levada para apreciação do presidente na semana seguinte. Ele acrescentou que o governo trabalha por uma reforma que "não sacrifique ninguém".

 

"Queremos uma reforma que não sacrifique ninguém. Onde salvemos o sistema previdenciário brasileiro, que seja possível o equilíbrio fiscal do Brasil. Vamos apresentar uma reforma que, ao mesmo tempo, permita o equilíbrio fiscal, mas é fraterna, tem olhar humano para todos os brasileiros". 

 

(Agência Brasil)