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Chefes de facções são transferidos para presídios federais

| Isolamento | Primeiro detento a ser removido era membro da facção Comando Vermelho (CV). Além dele, até a manhã de hoje, outros 19 presos devem ser levados para unidades de segurança máxima. Ao todo, 60 vagas foram ofertadas ao Estado

O Governo do Estado intensificou a estratégia de isolar detentos considerados chefes de facções criminosas. Como forma de reprimir a sequência de ataques deflagrados no último dia 2, e que já alcançou mais de 30 municípios, na noite de ontem, 6, teve início a transferência de presos para unidades federais de segurança máxima.

Até o fechamento desta matéria, o primeiro detento já havia sido removido para fora do Estado. O POVO apurou que o interno seria membro do Comando Vermelho (CV) e estava preso na Unidade Prisional Agente Luciano Andrade Lima.

O presídio, conhecido como Casa de Privação Provisória de Liberdade I (CPPL I), fica localizado em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Já a unidade de destino seria a Penitenciária de Catanduvas, em Santa Catarina.

A expectativa era de que, até a manhã de hoje, outros 19 presos fossem transferidos. Parte deste grupo seria levado para a Penitenciária de Mossoró (RN) e o restante seria dividido entre as unidades federais restantes.

 O POVO também apurou que o acerto para as remoções, dada a persistência dos ataques criminosos observados nas ruas do Estado, foi tratado diretamente entre o governador Camilo Santana (PT) e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Os dois vêm se falando diariamente, por telefone. Não está descartado, inclusive, que Camilo e Moro se encontrem, nos próximos dias, para conversar pessoalmente sobre a situação.

Pelo menos 60 vagas em presídios federais já foram ofertadas ao Estado. Segundo o titular da Secretaria da Administração Penitenciária (Seap), Mauro Albuquerque, todas deverão ser utilizadas. "Esse número pode, inclusive, aumentar. Vai depender da demanda. Se continuarem os ataques, a gente vai continuar transferindo. Também podemos prender lideranças que estão ordenando ataques aqui fora. E a gente vai mandar também", assegurou.

Mauro informou ainda que não foi estipulado um prazo máximo para a permanência dos detentos nessas unidades e que a transferência é realizada pela Polícia Federal (PF). "No que depender da gente, eles ficarão lá por muito tempo. Estamos esperando apenas a documentação dos demais para enviá-los", detalhou, em referência aos 19 presos que ainda aguardavam a transferência na noite de ontem.

Segundo o secretário, a identidade dos detentos transferidos será divulgada posteriormente. Já a escolha dos nomes é feita a partir de uma análise de inteligência conjunta, que pode levar em conta o ordenamento de ataques e o poder de articulação nas facções.

Conforme O POVO antecipou ontem, os governos de todos os estados do Nordeste enviarão reforços para o Ceará. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), já enviou 100 policiais militares ao território cearense. Contudo, de acordo com Mauro, o novo reforço que será enviado pelos estados será composto por agentes penitenciários especializados em intervenção penitenciária. "Serão mais de 100 homens", adiantou.

No último balanço divulgado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 110 prisões e apreensões já haviam sido realizadas no Estado. Três suspeitos foram mortos e um policial militar ficou ferido durante confrontos. Aproximadamente 100 ataques foram realizados.

Mauro afirma que mais de 500 celulares já foram apreendidos e que a queda na comunicação dos presos está influenciando na redução dos atentados. "Nos presídios federais, eles terão comunicação somente com advogados. Não há visita", concluiu.

Thiago Paiva

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