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Bancada cearense na Câmara se divide sobre novo governo

| bolsonaro | Posicionamento da bancada cearense na Câmara dos Deputados em relação ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) tende a ser equilibrado

18/03/2019 23:59:34
 Estimativa do Diap aponta que Bolsonaro terá 255 deputados aliados no início da nova legislatura
Estimativa do Diap aponta que Bolsonaro terá 255 deputados aliados no início da nova legislatura (Foto: Alan Santos/ PR)

A larga vantagem que o candidato derrotado na eleição Fernando Haddad (PT) teve sobre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Ceará - 71,11% dos votos válidos contra 28,89%, conforme o TSE - não se reflete na Câmara dos Deputados. Na bancada cearense, composta por 22 deputados federais, o cenário deverá ser de equilíbrio.

O deputado federal Capitão Wagner (Pros) projeta de nove a dez deputados locais na base de Bolsonaro. São eles: Heitor Freire (PSL), Domingos Neto (PSD), Vaidon Oliveira (Pros), Roberto Pessoa (PSDB), Moses Rodrigues (MDB), Junior Mano (Patriota), Genecias Noronha (Solidariedade) e Doutor Jaziel (PR). Ele não informou o décimo. O POVO apurou que seria AJ Albuquerque (PP), mas ele não foi localizado pela reportagem e, portanto, não foi possível confirmar a informação.

Wagner afirma que seu apoio a Bolsonaro não será integral. "A própria reforma da previdência é uma incógnita, a agenda de privatizações também precisa ser clara. Vamos apoiar na maioria". Apoio irrestrito ao presidente, Wagner diz esperar somente de Freire.

Líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (PDT) assegura dez deputados federais na oposição, com possibilidade de evolução. Como certos, os seis eleitos pelo PDT, três petistas e Denis Bezerra (PSB). A nível nacional, PDT, PSB e PCdoB formaram bloco de oposição contra Bolsonaro. Ele cita ainda conversas com o Partido Verde, sigla que poderá integrar este bloco. Isso aumentaria o número de cearenses opositores na Câmara, já que Célio Studart está abrigado na sigla.

Studart confirma a conversa entre partidos, mas nega qualquer definição. Será oposição quando as ações do Governo forem contra pautas caras ao partido, como a defesa do meio ambiente. Por enquanto, se define independente. Com quatro parlamentares eleitos, afirma que o PV terá contornos melhor desenhados dentro de dois a três meses. "Não há total noção da postura que o governo adotará".

Em termos de número, José Guimarães (PT) vai na mesma linha de Figueiredo. Para ele, a oposição pode ser melhor encampada a partir dos temas que estarão em pauta, a exemplo da reforma na Previdência. Conforme o petista, alguns deputados não foram reeleitos por compactuarem com a agenda reformista do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Sem citar nomes, também falou de "exibicionismos" de deputados ligados ao presidente Jair Bolsonaro. "Tem deputado ligado ao Bolsonaro que se elegeu, que acha que o mandato vai se resumir a fazer vídeos sem ter de lidar com os problemas do povo".

Mesmo da base, Domingos Neto afirmou que, no campo da economia, as sinalizações do governo têm sido positivas, mas que o partido será independente para apoiar e sugerir mudanças nos textos enviados ao Congresso. Heitor Freire foi contactado via assessoria de comunicação e telefone próprio, mas não atendeu nem deu retorno. Pedro Bezerra (PTB) não foi localizado pela reportagem.

Levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta que em toda a Câmara Federal, o governo Bolsonaro começará com 255 deputados apoiadores e 141 opositores.

Carlos Holanda

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