Grupos mapeiam agressões por motivação política 

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Grupos mapeiam agressões por motivação política

2018-10-12 01:30:00

Com o objetivo de acompanhar os casos que continuam a ocorrer nos estados brasileiros, grupos têm criado mapas da violência praticada por motivação política. Neles, é possível relatar casos e apontar onde estão ocorrendo. Haroldo Ceravolo Sereza, diretor de redação da Opera Mundi, é o responsável por um desses levantamentos. Mesmo com um processo de apuração rigorosa, ele aponta que o mapa divulgado no portal da instituição não é uma investigação criminal. "É um agregador de casos que podem e devem ser investigados pelo Ministério Público, pela Polícia Civil e pela Polícia Federal", explica.

 

Em menos de uma semana, já são 40 casos publicados e dez sendo investigados. Outros levantamentos contam com números ainda maiores. No formulário intitulado "Vítimas de Intolerância" já foram 444 respostas ao formulário de denúncias, enquanto a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo divulgou que nesse ano já foram 137 jornalistas agredidos, digital e presencialmente, por motivações políticas.

 

O número casos é alarmante, mesmo que ainda subnotificados e contando com ações espontâneas, como os levantamentos citados, em uma tentativa de acompanhamento das agressões motivadas por questões políticas e ideológicas.

 

O presidenciável pelo PSL, Jair Bolsonaro, que adota discurso beligerante na campanha, manifestou-se pela primeira vez sobre o assunto na última terça-feira. Na quarta, ele voltou ao assunto em seu Twitter. "Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar", afirmou.

 

Em uma segunda postagem, disse haver um "movimento orquestrado forjando agressões" para o prejudicar, "nos ligando ao nazismo, que, assim como o comunismo, repudiamos".

Luana Barros

 

 

NO CEARÁ

 

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), por meio da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), houve apenas um caso de violência por motivações políticas registrado no Ceará até agora.

 

O caso aconteceu no último domingo, 7, após a definição do segundo turno da disputa presidencial. Um grupo de apoiadores do presidenciável Jair Bolsonaro comemorava o resultado da votação do primeiro turno na Praça Portugal, na Aldeota, quando um motorista desceu de um veículo e iniciou um atrito com os que já se encontravam no local (ver mais no quadro ao lado).

 

Outros relatos de violência estão sendo publicados em redes sociais. Em Fortaleza, viralizou postagem no Facebook que denuncia agressão contra estudante no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) após discussão de viés político. Print da suposta publicação que circula no WhatsApp conta que o jovem foi agredido na escadaria da instituição, onde um grupo usando camisa do presidenciável Jair Bolsonaro agrediu o jovem fisicamente e rasgou a roupa do estudante.

 

“Ele foi relatar o ocorrido e os policiais debocharam. Ele tá arrasado e a família, em choque”, diz a publicação. Por meio da assessoria de imprensa, o IFCE confirma que a vítima “foi empurrada e xingada por desconhecidos”,  mas nega que o caso tenha ocorrido na escadaria da instituição. A SSPDS diz que não foi encontrado Boletim de Ocorrência (B.O) sobre o caso.

Colaborou Rubens Rodrigues

 

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