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Relação Brasil-África é pouco citada em programas de governo

| Presidência | Segundo o Instituto Brasil África, apenas cinco candidatos falam sobre relações com países africanos
01:30 | Set. 25, 2018
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O Instituto Brasil África divulga amanhã, 26, documento com a análise dos planos de governo dos candidatos à Presidência da República. Segundo o levantamento, apenas cinco dos treze presidenciáveis citam as relações entre o Brasil e os países do continente africano: Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (Psol), João Goulart Filho (PPL) e Marina Silva (Rede).

 

Contudo, mesmo nesses programas, é dado pouco destaque para a questão. "A impressão que se tem ao final da leitura é que os candidatos (..) colocaram o continente africano apenas para cumprir tabela, não foi uma abordagem densa, profunda", explica o professor João Bosco Monte, presidente do Instituto Brasil África.

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Segundo ele, os postulantes sequer identificam com "qual África" pretendem dialogar. "As propostas dos presidenciáveis com relação ao continente africano não são claras, são muito obscuras". Não são citados países específicos ou ações a serem realizadas, apenas termos mais generalistas como "fortalecer as relações" ou "reconstrução de nossa relação".

 

Dentre os quatro candidatos mais bem colocados, apenas Ciro e Haddad discutem a questão. Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL) citam ações quanto à política e ao comércio internacional, sem menção aos países do continente africano.

 

O pedetista fala da retomada das relações entre o Brasil e os países africanos "que façam justiça à condição do Brasil como maior país africano fora da África". Já o petista aborda um fortalecimento da cooperação Sul-Sul, especialmente com a África, "de modo a apoiar, ao mesmo tempo, o multilateralismo, a busca de soluções pelo diálogo e o repúdio à intervenção e soluções de força".

 

Ambos os candidatos citam o Brics, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e o Ibas, grupo com Índia, Brasil e África do Sul, como caminhos para esse fortalecimento.

 

Monte acredita que a discussão tímida nos planos de governo revela falha no assessoramento dos candidatos. "Nós entendemos que a miopia que os candidatos apresentam de não olhar para a África com a perspectiva que aquele continente é, onde todos os países apostam suas fichas, demonstra que as propostas não estão minimamente próximas de uma realidade mundial".

 

Primeiro colocado no 1º turno, conforme pesquisas, o plano de governo de Jair Bolsonaro (PSL) não cita as relações com o continente africano. O programa sugere maior abertura ao comércio internacional e aponta que é "preciso redirecionar nosso eixo de parcerias".

 

Embora o programa cite como objetivo "aprofundar nossa integração com todos os irmãos latino-americanos que estejam livres de ditaduras", o candidato a vice-presidente na chapa, General Mourão (PRTB), criticou o modelo de cooperação Sul-Sul. "E aí nos ligamos com toda a mulambada, me perdoem o termo, existente do outro lado do oceano, do lado de cá, que não resultou em nada", afirmou, no último dia 17. Bolsonaro havia declarado ainda não haver dívida histórica com a escravidão.

 

Para João Bosco, as declarações são "infelizes" e "aberrações". "(Eles) Perderam uma oportunidade de olhar a África como um locus de interesse para o Brasil", critica.

 

A reportagem tentou contato com a assessoria do candidato do PSL, assim como com as de Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, mas até o fechamento dessa edição não obteve resposta. A assessoria de Ciro Gomes informou que, por conta da agenda movimentada, não seria possível que ele falasse com O POVO.

 

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