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Sem polarização, debate na TV mostra fragmentação política

01:31 | 10/08/2018

Primeiro debate de uma série de dez até o dia das eleições, o encontro dessa quinta-feira na Bandeirantes produziu cenas inesperadas em meio a uma disputa que refletiu mais o cenário de fragmentação política.

 

Candidato do Patriota, Cabo Daciolo fez Jair Bolsonaro (PSL) parecer um moderado. Mais hábil com as palavras, Ciro Gomes (PDT) foi evitado pelos adversários até a metade do programa.

 

Marina Silva (Rede) mirou em Geraldo Alckmin (PSDB) durante boa parte do tempo, dirigindo-lhe as perguntas mais incisivas, o que revela que a ex-senadora modulou sua estratégia, desviando-se das diatribes no campo dos costumes e abraçando uma linha essencialmente propositiva.

 

Guilherme Boulos (Psol) atacou frontalmente Henrique Meirelles, do MDB, ligando-o ao presidente Michel Temer, recordista de impopularidade e espécie de ameaça fantasma a pairar sobre a candidatura do ex-ministro da Fazenda.

 

O emedebista saiu-se então com um despiste: disse que era o candidato do emprego, do crescimento etc., evocando os oitos anos (de governo Lula) durante os quais esteve à frente do Banco Central bonança da qual ele espera tirar proveito na campanha eleitoral.

 

Mais importante que os temas tratados pelos participantes, no entanto, foram os assuntos que eles deixaram de lado, deliberadamente ou não. Nesse campo, corrupção e Operação Lava Jato passaram ao largo da preocupação imediata dos postulantes, assim como o aumento de salário autoconcedido pelo Supremo.

 

Nomes também foram esquecidos: além de Temer, o de Lula, cujo pedido para que deixasse uma cadeira vazia não foi atendido pela Band, não frequentou as respostas.

 

Como bússola para os estrategistas de campanha e farol para o eleitor ainda indeciso, o debate foi pouco eficiente. Com regras confusas que permitiram o eventual isolamento de presidenciáveis durante quase todo o segundo bloco, Meirelles e Ciro ficaram apenas assistindo a seus adversários , o encontro serviu, todavia, para começar a contrastar os perfis à disposição.

 

Quer o eleitor deseje, quer não, e salvo alguma reviravolta, um deles ocupará a cadeira de presidente da República a partir do ano que vem.

 

Oxalá seja o mais preparado e ajuizado entre os nomes que, a partir de agora, vão passar a desfilar com frequência pela televisão dos brasileiros.

 

HENRIQUE ARAúJO