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Pela primeira vez, PT admite abrir mão de vaga para Senado em 2018

| ELEIÇÕES NO CEARÁ | O assunto deve ser discutido na reunião do diretório estadual no final do mês. Inclinação abre diálogo direto para entrada do MDB na aliança

01:30 | 17/05/2018

EUNÍCIO OLIVEIRA pode ser beneficiada com movimentação do PT MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO
EUNÍCIO OLIVEIRA pode ser beneficiada com movimentação do PT MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO
JOSÉ PIMENTEL continua candidato à reeleição, segundo defesa de petistas VICTOR SOARES/AGÊNCIA SENADO
JOSÉ PIMENTEL continua candidato à reeleição, segundo defesa de petistas VICTOR SOARES/AGÊNCIA SENADO
 

 

 

 

 

 

Pela primeira vez, o PT cearense começa a admitir que pode abrir mão de uma vaga no Senado Federal em nome da aliança para a reeleição do governador Camilo Santana (PT). Em entrevista ao O POVO, o presidente da legenda, deputado Moisés Braz, disse ontem que o “Senado não é prioridade” e que a legenda vai trabalhar para reeleger Camilo e formar uma bancada forte no legislativo estadual e na Câmara dos Deputados.

 

O principal argumento do dirigente da sigla é que o PT “não construiu o nome para o Senado” nos últimos anos. A declaração abre diálogo direto com o senador Eunício Oliveira (MDB) que pleiteia disputa à reeleição na chapa do governador. A segunda vaga ficaria com o ex-governador Cid Gomes (PDT).

 

Braz, que admite também que a tese não é unidade no partido, disse ainda que o assunto vai ser levado à reunião do diretório estadual agendado para o dia 25 deste mês para discussão. O presidente negou, no entanto, que esse novo entendimento possa ter relação com a aproximação de Eunício com o grupo liderado pelos irmãos Ferreira Gomes e disse que, embora mais distante, o partido ainda não “jogou a toalha” sobre a candidatura.

 

Ligado ao grupo da ex-prefeita Luizianne Lins, o deputado estadual Elmano de Freitas (PT) reagiu à proposta levantada pela direção da sigla. Ele defende que o nome do senador José Pimentel seja oferecido pelo PT ao grupo para a disputa da reeleição. “Se esse critério valesse, o Camilo não era governador. Porque o Camilo também não foi construído no PT, virou governador e nós estamos muitos satisfeitos e queremos que ele seja de novo governador”, rebateu o petista..

 

A deputada federal Luizianne Lins já declarou em outras oportunidades que colocaria seu nome à disposição para disputar o Senado caso Pimentel recuasse da candidatura a um novo mandato. Elmano defende que seja um nome do PT que possa colaborar, em Brasília, com a revogação das reformas implementadas pelo governo Michel Temer (MDB).

 

Em entrevista à rádio O POVO/CBN na manhã de ontem, a senadora e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, também defendeu a manutenção de Pimentel no Senado e declarou que o PT não vai abrir mão de vaga na chapa do governador. “Queremos reeleger o Pimentel, ou quem o PT, na sua decisão interna, indicar”.

 

Sobrinho de Eunício, o deputado estadual Danniel Oliveira (MDB) entende que esse movimento do PT sinalizado pela presidência estadual é sim uma abertura à aliança com o presidente do Congresso Nacional para a eleição de outubro. O emedebista afirma que o presidente do PT no Estado é um “entusiasta” da uma ampla aliança “em favor do Ceará”. “Claro que é uma abertura. Em outras linhas, nós vivemos um bom momento com o PT a nível nacional. E essa união no Ceará passa entre o governador Camilo e o senador Eunício”.

 

OUTROS LADOS

 

HEITOR FÉRRER

Heitor Férrer, que se filiou ao Solidariedade no período da janela partidária, disse ao O POVO que deve permanecer no partido mesmo que a decisão seja de acordo com o governo do Estado. Segundoele, está acertado com a instância estadual que terá independência para continuar atuando na oposição.

ROBERTO MESQUITA

O deputado Roberto Mesquita (Pros) garantiu que o grupo da oposição tem nome para disputar o Senado. “Não existe quadro mais talentoso, inteligente, íntegro e preparado do que o Renato Roseno (Psol). Portanto, ele poderia ser o candidato a senador da oposição”, disse.

 

WAGNER MENDES