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Compositor diz que jingle eleitoral não ganha eleição, mas dá o tom da campanha

MEMÓRIA | Lázaro do Piauí é autor de mais de 600 músicas para campanhas eleitorais, dentre elas uma que marcou a campamnha de Lula à reeleição em 2006. Mesmo assim, diz que é apartidário

01:30 | 21/05/2018

Nascido em Teresina, Lázaro José da Silva, 64, o Lázaro do Piauí, tem mais de 600 jingles de campanha política no currículo. Ao longo da carreira de 35 anos, escreveu composições que fizeram diferença na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da república, em 2006, nas campanhas de Collor de Melo (PTB) para o governo de Alagoas, em 2010, de Mão Santa (MDB) para o governo do Piauí, em 1998, entre outras tantas.Responsável por encerrar com um pocket-show o 13º Congresso Brasileiro de Estratégias Eleitorais e Marketing Político, no último sábado, 19, Lázaro do Piauí concedeu entrevista exclusiva ao O POVO e falou, entre outras coisas, sobre seu processo criativo de jingles. 

OP -  Em 2006, na campanha que reelegeu o ex-presidente Lula, o senhor foi responsável por compor o jingle “Deixa o homem trabalhar”, que, como o senhor diz, segundo o próprio petista, contribuiu para fixar a popularidade dele. Mas, anos depois, na Convenção Nacional do PSDB, o senhor disse que se arrependeu do feito. Por quê?

Lázaro - Me arrependi de ter feito aquele arrependimento. Porque, é o seguinte, é questão de momento. Política é momento. Como nuvem. Tá de um jeito hoje… Eu não tenho partido. Se a agência (publicitária) tiver um partido, ela só trabalha pra aquele partido. O partido meu é PB: Partido Brasileiro. Eu quero é que os candidatos venham e façam suas músicas. Se amanhã mudou o candidato, tenho que fazer com a mesma paixão que fiz pro primeiro. Agora, não faço pra mesma cidade, pra mais de um candidato majoritário. Se eu fizer pra um, é só pra um. Pra outro, é pra outro. 

OP - Suas composições, então, não acompanham suas preferências políticas?  

Lázaro - Não tenho gosto. Faço a campanha do candidato, pode ser de qualquer partido, com o mesmo amor que é o amor pelo meu trabalho. Pelo que aquilo vai representar na campanha de um candidato. Candidato, quando entra numa campanha, bota a vida dele. Então, eu boto também a minha vida no jingle. Não vou votar nele. Vou fazer uma canção.  

OP - Como é o processo de criação de um jingle político? 

Lázaro - Gosto muito de pegar o material dos marqueteiros e ouvir os candidatos, principalmente os proporcionais (deputados federais, deputados estaduais e vereadores). Majoritário (presidente, governador, senador e prefeito), não. Proporcional, preciso conversar pra bater as informações do marqueteiro com a emoção dele. Às vezes o cara tá falando uma coisa e é outra.  

OP - Mas tem momentos em que a inspiração vem de forma aleatória? 

Lázaro - A do Lula peguei de um jornal dentro de um avião. De outro, de uma música da Caixa Econômica. Esse que é o grande lance de ser um artista popular. As pessoas, quando vão fazer um jingle, querem fazer aquele jingle muito bonito, que dá certo pra São Paulo e acha que vai dar certo, também, pra Crateús. E não dá. É momento, é o sentimento da cidade, do candidato, das pessoas. 

OP - Jingle eleitoral é, então, regionalização? 

Lázaro - É. O jingle tem a ver com o candidato e com a cidade. E candidato é um produto. Só que um produto que fala.

 

 

ESTRATÉGIAS

O 13º Congresso Brasileiro de Estratégias Eleitorais e Marketing Político foi encerrado sábado, no Centro de Eventos. Os cerca de 300 participantes discutiram, durante dois dias, redes sociais, nova política, estratégias eleitorais e fake news, dentre outros temas.