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Base de Camilo na Assembleia vê nome de general com "surpresa"

| CANDIDATURA | O fortalecimento do general Theóphilo para a disputa do Palácio da Abolição pelo PSDB, no entanto, não "amedronta" a base, que vê Camilo como "favorito"
01:30 | Abr. 24, 2018
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A base do governador Camilo Santana (PT) tem recebido as notícias do fortalecimento da pré-candidatura do general Guilherme Theóphilo (PSDB) ao governo estadual com “surpresa” e cautela ao mesmo tempo.

Se, por um lado, o título de “general” pode atrair o eleitor crítico da política de segurança pública do petista, por outro o desconhecimento do nome tucano no Estado pode ser um fator que beneficia a atual gestão.

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Os deputados que defendem o governador na Assembleia Legislativa admitem que o general não estava no radar do Palácio da Abolição como possível concorrente contra Camilo, mas que a mudança, em referência à provável desistência de Capitão Wagner (Pros), não muda a estratégia da pré-campanha.

O vice-líder do governador, deputado estadual Julio César (PPS), diz que “a patente não muda a estratégia” de Camilo e que a campanha do petista não vai fugir do debate da segurança pública — uma das áreas frágeis de Camilo com o avanço das facções criminosas.

“Creio que independentemente se é general ou capitão, o governo tem que mostrar o que tem sido feito”, defende o parlamentar.

Sérgio Aguiar (PDT) fala em “surpresa” com a possível candidatura de Theóphilo pelo fato de um nome ligado às Forças Armadas não participar da eleição majoritária no Ceará desde o fim da Ditadura Militar, nos anos 1980. “Aqueles que fazem oposição estão querendo alguém com disciplina e hierarquia para gerir”, crê.

Para Aguiar, a inexperiência do tucano em eleições, aliada ao desconhecimento do eleitor, deve prejudicar a aposta da oposição. “Camilo é franco favorito”, afirma.

Dedé Teixeira (PT) acredita que a indicação do general é “falta de opção” da oposição, que ainda não se organizou. Segundo ele, há uma dificuldade “imensa” de o militar se fazer conhecer pelo grande público em menos de seis meses, que é o prazo para a eleição em outubro.

“Quem é general Theóphilo? Pensa o quê sobre o Ceará? Conhece o quê? Muito prazer. É o que o povo do Ceará vai dizer”, ironizou o deputado estadual Elmano de Freitas (PT). Para ele, a provável postulação tucana “é um gesto marqueteiro” e que, ao avaliar preocupação do eleitor com a área da segurança pública, o grupo quer “apresentar alguém que, pelo título de general,  saberia a solução dos problemas”.

Elmano defende que a pouca organização do grupo opositor pode comprometer a trajetória da provável candidatura. Sobre o general, ele acrescentou: “O nome de alguém que eu tenho dúvida se sabe chegar em Quixeré”.

Apesar de a candidatura de Theóphilo estar se firmando, não há decisão do PSDB sobre a possibilidade de bancar o nome para a disputa majoritária de outubro próximo.

O POVO procurou o general Theóphilo para comentar as movimentações de bastidores, mas o telefone celular encontrava-se desligado na noite de ontem.

 

PSDB

Um dos maiores partidos do País, a legenda tenta liderar a oposição no Ceará com a necessidade de fazer palanque para Geraldo Alckmin, que disputa a 

presidência 

 

PERFIL

 

GENERAL THEÓPHILO

 

CANDIDATURA

> As lideranças da oposição têm recebido bem o nome de general Guilherme Theóphilo para a candidatura ao Governo. O currículo do militar é citado como principal atributo.

> Tasso ainda é tido pela oposição como nome de maior força para encabeçar a chapa, mas o senador tem se negado repetidas vezes à disputa. O deputado estadual Capitão Wagner (Pros), que também era citado, disputará vaga de deputado federal. Mirando a agenda da segurança, Theóphilo cresce como alternativa.

> Recém-filiado ao PSDB, ele foi até 2016 comandante militar da Amazônia e esteve à frente do controle das fronteiras de uma das áreas de maior atenção para o tráfico de entorpecentes no País. Após dois anos, deixou o cargo e assumiu o Comando Logístico do Exército, responsável pela fiscalização e controle do armamento que chega ao território brasileiro.

> Filho de uma linhagem de militares que remonta à Guerra do Paraguai, no Império Brasileiro, Guilherme Cals Theóphilo Gaspar de Oliveira tem 63 anos e ingressou na reserva em março. Pelo menos quatro descendentes do general permanecem na ativa das Forças Armadas. Dos irmãos, cinco são militares, incluindo o general Estevam Theóphilo, que foi comandante da 10ª Região Militar, no Ceará, até este mês.

> Único dos filhos que nasceu fora do Ceará, Theóphilo é carioca, veio com a família a Fortaleza ainda na infância e estudou no Colégio Militar da Capital. Ingressou no Exército aos 21 anos e cumpriu trajetória descrita pelos militares como invejável, servindo em cidades como Natal, Cuiabá e Brasília.

 

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