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Índia, pré-candidata do Psol visita tapebas e pede mobilização

| COTADA | Sonia Guajajara, que cumpriu agenda em Fortaleza sexta e sábado, é um dos cinco nomes cotados no partido para disputar a presidência em 2018
01:30 | Fev. 26, 2018
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Uma roda se fez no terreiro sagrado da aldeia dos Paus Brancos, do povo Tapeba, para receber a líder indígena Sonia Guajajara na manhã de sábado, em Caucaia. Ela é um dos cinco nomes, no Psol, que concorrem internamente para assumir a candidatura pelo partido. Diante do quase consenso de que a vaga será do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, a indígena se fortalece na sigla para integrar a chapa como vice.


A pré-candidata defende que os índios superarem a posição de resistência e partam para a disputa pelos espaços de poder. A ideia é que eles próprios possam defender as causas que sustentam e outras de interesse geral sem precisar de fiadores. “As bancadas do Congresso contra nós estão cada vez maiores. Eles estão fortemente aliados e, se a gente não se organizar, isso não vai acabar nunca”, afirmou.

Até novembro do ano passado, a pretensão de Sonia era se candidatar a uma vaga na Câmara dos Deputados. O interesse mudou quando o Setorial Nacional Ecossocialista do Psol sugeriu e convenceu a indígena a se colocar como um dos nomes do partido para a disputa pelo Planalto. A decisão do partido será conhecida no dia 10 de março, quando os delegados estaduais escolhem, por voto, quem oficializará como candidato do Psol ao cargo.

Sonia admite que, dentro do partido, o nome de Boulos (ainda sem partido) é o mais forte. Ela encara isso “com tranquilidade”. Atual coordenadora do Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a índia Guajajara reconhece que há um movimento em torno do seu nome para compor essa chapa. Ela, no entanto, tem cautela. Quer esperar a escolha oficial para buscar a aprovação do movimento indígena. 


Maranhense, formada em Letras e pós-graduada pela Universidade Federal do Maranhão, Guajajara passou a ter maior presença no movimento indígena em 2000. Foi ela uma das que reavivaram o movimento indígena no Estado, trabalho que a levou para a diretoria da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiab) anos mais tarde.
 

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Antes filiada ao PT, o qual abandonou com queixas de incoerência, Sonia está no Psol há oito anos. Rechaça qualquer paralelo com a pré-candidata do PV, Marina Silva e sustenta demarcação das terras indígenas como pauta.
 

Aos 43 anos, Sonia entende a candidatura dela como um recado a ser dado. Para os de longe, sim, mas principalmente aos de muito perto. O interesse de concorrer a um cargo eletivo serve de lembrança para que o próprio partido “garanta espaço e prioridade para a questão ambiental e indígena”. (Rômulo Costa)

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