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PR é alvo de disputa interna a poucos meses da eleição

A saída de Lúcio Alcântara da presidência do PR gerou indefinições sobre o comando da legenda. A partir de março, sigla não terá Capitão Wagner entre filiados

01:30 | 23/01/2018
FABIO LIMA
FABIO LIMA

O partido que o deputado estadual Capitão Wagner (PR) deixa, após anunciar migração para o Pros, é de divergências claras entre as principais lideranças. O atual presidente da sigla, o ex-governador Lúcio Alcântara, anunciou que deixa o posto e que a vaga deve ser preenchida ainda em fevereiro.

Procurado pelo O POVO, Lúcio afirmou que o vice-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, assumiria a presidência estadual, após "consenso", inclusive com acerto na cúpula nacional. "Ele vai assumir em fevereiro a presidência estadual. É consensual", disse.

A deputada federal Gorete Pereira (PR), por outro lado, negou que haja qualquer tipo de acerto na sucessão estadual da sigla em âmbito nacional. Camilista, embora filiada a um partido de oposição ao governador, a parlamentar disse que ainda não foi procurada localmente para discutir o assunto.

"Não tem nada do Roberto assumir nada. Está sendo conversado. O Roberto foi à Brasília para conversar e o partido avisou que não faria nada sem passar por mim. Estamos vendo com a Executiva do partido", explicou.

A deputada, que cobra prioridade do partido, disse que a decisão de quem vai assumir a presidência da legenda vai ser definida só após os acordos com vistas para a eleição de outubro. "Eu tenho que viabilizar a minha reeleição. Eu ou o Roberto (assumir o partido), contanto que eu fique sem risco. Eu não vou correr é riscos", cobrou do partido.

Gorete Pereira disse que não conversou com o ex-governador para tratar do assunto, disse que quer estar "tranquila", seja na base ou na oposição ao governador, nas eleições proporcionais.

Com objetivo de fortalecer a oposição, o deputado estadual Capitão Wagner deixa o PR em março e leva com ele diversas lideranças de oposição para o novo partido. A ideia é tornar o Pros um partido médio, elegendo quatro deputados estaduais e três federais.

 

Apesar da saída do partido, Wagner mantém boas relações com a cúpula do PR. A intenção de se filiar ao Pros tenta explicar a necessidade de fortalecimento da oposição que vinha sendo enfraquecida nos últimos meses.

 

"A expectativa é que a gente eleja três deputados federais e quatro deputados estaduais. O Pros vai se tornar um partido importante no Ceará", prometeu. O objetivo é fortalecer o grupo de oposição filiando lideranças de diversas regiões do Estado do Ceará.

A reportagem procurou o vice-prefeito de Maracanaú para comentar o assunto. Um dos assessores de Pessoa atendeu o telefone e informou que o ex-prefeito não poderia falar por estar participando de uma cerimônia de inauguração de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Município.

 

EFEITOS DAS MUDANÇAS

OPOSIÇÃO

A oposição ao governador Camilo Santana (PT) se fortalece na medida em que novas lideranças se filiam ao Pros com vistas na eleição de outubro. O partido que foi o braço direito do petista na última eleição, agora muda de lado e se fortalece.

 

ELEIÇÕES

A principal razão da mudança de sigla pelo deputado estadual Capitão Wagner (foto) é o fortalecimento da oposição. Politicamente, Wagner ganha mais poder de costurar acordos com legendas da oposição já na eleição de outubro deste ano.

 

DEBANDADA

Apesar do fortalecimento do grupo, o PR se fragiliza com a “debandada” de filiados para o Pros.

 

WAGNER MENDES