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Condenado ou não, Lula será candidato

Tese é defendida pelo presidente estadual da sigla, De Assis Diniz, e por parlamentares do Estado. De acordo com eles, desistir da candidatura do ex-presidente seria como admitir que ele é culpado
01:30 | Jan. 05, 2018
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A menos de um mês para o julgamento de Lula pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a estratégia do PT é reafirmar a inocência do ex-presidente e defender, a todo custo, a sua candidatura. De acordo com Francisco de Assis Diniz, presidente da sigla no Ceará, “Lula será candidato, esteja condenado ou não, preso ou não”.


A tese, defendida pelo diretório nacional do partido, foi reforçada pelos deputados Elmano de Freitas e José Guimarães, que se reuniram ontem na sede da legenda junto com a militância e movimentos sociais para definir agenda de mobilização no Estado até o dia 24 de janeiro, quando Lula será julgado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

[SAIBAMAIS]

Elmano argumenta que, como “o único objetivo do processo contra o Lula é tirá-lo de uma disputa eleitoral”, a defesa da sua candidatura é, também, uma luta pela democracia.

“É importante nós denunciarmos, dizermos que não é possível que alguém que tem a liderança política do Lula tenha uma condenação sem nenhum tipo de prova real”, afirmou.

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Para o parlamentar, a candidatura do petista deve ser mantida “sob qualquer hipótese porque o partido está convencido da sua inocência”. Recuar seria admitir, portanto, que há culpa. Já Guimarães repete as palavras da presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann: “Para nós, não há plano B. Só temos um plano: o Lula candidato em qualquer situação”.


Mesmo se for condenado no próximo dia 24, o ex-presidente não ficaria, automaticamente, impedido de se candidatar.


Lula permanece com o direito de registrar candidatura, dentro do prazo legal previsto, e iniciar campanha até a análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tendo o registro indeferido, ele ainda poderia recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo
Tribunal Federal (STF).


Mobilização

No fim da tarde de ontem, o diretório estadual do PT reuniu parlamentares, militantes e movimentos populares para discutir a mobilização neste mês até o dia do julgamento.

Chamado de “Janeiro - Tô com Lula”, o mês contará com caravanas em municípios do interior do Estado (com data antecipada para a próxima semana), panfletagens, palestras e os atos do dia 24, que se concentrarão em Fortaleza e outros cinco municípios: Crateús, Limoeiro, Quixadá, Juazeiro do Norte e Sobral.


Ainda não está confirmado se Camilo Santana (PT) participará de algum ato, mas a resolução do diretório nacional é de que todos os governadores petistas estejam no grande ato de Porto Alegre, onde será o julgamento.

colaborou Igor Cavalcante

 

 

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“Tô com Lula em defesa da democracia”, dizem cartazes colados em muros de Fortaleza ontem. Esta é uma das primeiras ações em defesa do petista no mês do seu julgamento, feita por movimentos sociais.

 

Além dos cartazes, os diretórios municipal e estadual do PT articulam mês inteiro de mobilizações. Ontem, houve a primeira reunião. Na próxima segunda-feira, 8, haverá encontro, dessa vez com presença mais massiva de parlamentares.


O objetivo é definir agenda das caravanas estaduais, que passarão pelas cidades-polo que receberão ato no dia 24 e pelos municípios próximos. Durante as visitas, serão angariados apoios para os atos. Também serão organizadas plenárias nesses municípios para definir como será o ato em cada cidade. Algumas, como é o caso de Fortaleza, devem ter vigília do dia 23 para o dia 24, outras terão aulas públicas, caminhadas e palestras, por exemplo.


Lula já foi condenado, no ano passado, pelo juiz federal Sergio Moro a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

 

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