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A decepção vermelha e a festa verde e amarela em Porto Alegre

Enquanto o vermelho se recolheu com a condenação de Lula, o verde e amarelo se manifestava do outro lado da capital gaúcha

00:30 | 25/01/2018
PIXULECO foi inflado em embarcação no rio Guaíba, em Porto Alegre JEFFERSON BERNARDES/AFP
PIXULECO foi inflado em embarcação no rio Guaíba, em Porto Alegre JEFFERSON BERNARDES/AFP

ISABEL FILGUEIRAS

ENVIADA A PORTO ALEGRE

isabelfilgueiras@opovo.com.br

O fim de dois dias de acampamento ganhou um toque dramático da natureza. A poucos metros do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF-4), o sol forte que castigou a militância desde as primeiras horas da manhã de ontem se transformou em uma tempestade com ventos e chuva a poucos minutos após a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois do 3 a 0, as barracas começaram a ser recolhidas. Os alto-falantes foram desligados. A derrota não tinha trilha sonora.

Até os últimos momentos antes daquele voto final do desembargador Victor Laus, a apenas duas esquinas dali, manifestantes se recusavam a recolher as bandeiras e os tambores. “Vai ter Lula na eleição”, gritaram algumas vezes. Soltaram os últimos tubos de fumaça vermelha e prometeram continuar “na luta”. Um a um, os ônibus fretados saíram, despedindo-se de Porto Alegre que, para aquele grupo de pessoas, selou uma injustiça.

Mas em um contexto polarizado, nenhum descontento é absoluto. Em outra parte, a turma de verde e amarelo festejava. Os gaúchos reunidos no Parque Moinho dos Ventos estavam orgulhosos de terem sediado o julgamento de Lula com o desfecho desejado: condenação e aumento de pena. “Lula na prisão”, celebravam, mesmo que a sentença de reclusão do petista ainda não tenha data para começar a ser cumprida.

A quarta-feira foi calma. Com 2,2 mil policiais militares fazendo patrulhamento, desvios de ruas e alteração em rotas de ônibus, o risco de ocorrências se tornou pequeno. Nunca aconteceu o tão temido confronto entre grupos rivais que fez o prefeito da cidade pedir reforço ao Ministério da Defesa.

A Secretaria da Segurança Pública cumpriu a promessa de monitoramento terrestre, naval e aéreo. Helicópteros sobrevoaram o TRF-4 durante todo o dia.

Drones também foram vistos no local. O momento crítico, talvez, tenha sido quando do Pixuleco, o boneco de Lula em roupa de presidiário, numa balsa no rio Guaíba. Mas, antes mesmo do segundo voto, a Brigada Militar já havia recolhido o intruso.

 

PELO PAÍS

 

ATO CONTRA O julgamento levou manifestantes para as ruas em várias cidades brasileiras. Em São Paulo, pessoas que pediam a condenação do ex-presidente se concentraram em frente ao Masp, mas não chegavam a ocupar um quarteirão.LULA NA PRAÇA No fim da tarde, Lula participou de ato na Praça da República, reunindo cerca de 50 mil pessoas