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Fala de Marun abre crise com governadores

Governadores do Nordeste reagiram à declaração do ministro Carlos Marun, que admitiu negociar recursos federais em troca de apoio para aprovação da reforma da Previdência. Camilo classificou ato como "chantagem"

01:30 | 28/12/2017
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O presidente Michel Temer (MDB) encontra ainda mais dificuldade para aprovar a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, após o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, declarar que os estados que quiserem liberação de recursos têm de ajudar no encaminhamento da proposta.


Ontem, os nove governadores do Nordeste assinaram carta pública repudiando a prática classificada como “criminosa”. Eles prometem processar o ministro se a ação se concretizar.

[SAIBAMAIS]

No documento dirigido a Temer, os governadores dizem que receberam a declaração com “profunda estranheza” e não hesitarão em “promover a responsabilidade política e jurídica” dos agentes envolvidos no que classificaram como “ameaça”. “Esperamos que o presidente Michel Temer reoriente os seus auxiliares, a fim de coibir práticas inconstitucionais e criminosas”, escreveram.


Em entrevista coletiva, Marun admitiu na terça-feira última que o Palácio do Planalto pressiona os governadores a trabalharem a favor da aprovação da reforma da Previdência em troca do repasse de recursos em financiamentos de bancos públicos.


“Financiamentos da Caixa são ações de governo. Obviamente, nesse sentido entendemos que deve, sim, ser discutida com esses governantes alguma reciprocidade no sentido de que seja aprovada a reforma da Previdência, que é uma questão que entendemos hoje de vida ou morte para o Brasil”, justificou, negando se tratar de chantagem.


O governador Camilo Santana (PT) discordou da declaração. “É uma vergonha. Resumindo: ‘eu só libero teus empréstimos se orientar os deputados a votarem a reforma da Previdência’. Eu já mandei o recado dizendo que não conte com o governador Camilo”, reagiu, ontem, em entrevista à rádio Tribuna BandNews FM.


Para o governador, é “inadmissível essa forma de fazer política”. “Se eu fosse o presidente, demitia esse ministro hoje”, declarou o petista, reiterando que isso não era diálogo. “É uma coisa antirrepublicana.”


Votação


Após a reação dos governadores, o presidente Michel Temer se reuniu ontem à tarde com o ministro Marun e o relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-PA). O objetivo do encontro foi discutir as estratégias para conseguir os 308 votos necessários para a aprovação da proposta.


Mesmo após a repercussão negativa da declaração, Marun disse ao O POVO que mantém o que foi dito. “Aqueles que foram beneficiados com ações do Governo terão de auxiliá-lo”, reafirmou por telefone.


O ministro também minimizou a reação dos governadores nordestinos, após dizer que não leu a carta assinada por eles. Questionado sobre a declaração de Camilo Santana, que sugeriu sua demissão do cargo de articulador do Governo, disse: “Eu tenho mais coisa para me preocupar do que isso”.

 

Saiba mais


Indulto de Natal


A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ajuizou ontem uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar trechos do decreto de indulto de Natal assinado pelo presidente Michel Temer.


Para Raquel Dodge, o indulto coloca em risco a Operação Lava Jato, “materializa o comportamento de que o crime compensa” e será “causa única e precípua de impunidade de crimes graves”.


O decreto de indulto de Natal assinado por Temer foi duramente criticado por procuradores e representantes da Lava Jato.

 

Frases 

 

 

Após reação dos governadores, presidente Michel Temer se reuniu com o ministro Marun e o relator da reforma da previdência, Arthur Maia


 

Governadores do nordeste assinaram carta repudiando a prática classificada como “criminosa”. Eles prometem processar o ministro

 

 

O governador Camilo Santana (PT) discordou da declaração. "é uma vergonha. Eu já mandei o recado dizendo que não conte com o Camilo

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