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Reforma ministerial de Temer deverá ser mais branda e "em fases"

Pressionado por aliados, o presidente Michel Temer (PMDB) teria desistido de fazer mudanças muito profundas e de exonerar já em dezembro os ministros que pretendem se candidatar nas eleições de 2018
01:30 | Nov. 17, 2017
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Reforma ministerial anunciada por Michel Temer (PMDB) na última segunda-feira, 13, deverá ser mais branda do que a planejada por ele. Isso porque, pressionado por governistas, o presidente teria desistido de exonerar ainda este ano os ministros que pretendem se candidatar nas eleições de 2018.


Inicialmente, Temer havia mencionado que mudanças ocorreriam até dezembro, mas teria mudado de ideia e afirmado a aliados que reforma acontecerá “em fases”, segundo interlocutores. Pelo menos 17 ministros, dos 28, podem se candidatar no próximo ano. O número de pastas que sofrerão trocas também pode ser menor que 17, como informado pelo presidente do PMDB, o senador Romero Jucá.

[SAIBAMAIS]

“Não passa pela cabeça dele (Temer) mexer em 17 ministérios. Ele sabe que tem que resolver, mas não é trocando 17 ministros num momento como esse. Vai fazer em duas etapas, acho que uma primeira fase e depois em março, que é o prazo fatal de quem é candidato”, disse o vice-líder do governo, deputado Beto Mansur (PRB-SP), que conversou com Temer no avião presidencial durante a viagem para Itu (SP).

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O vice-líder da Câmara dos Deputados Fábio Ramalho (PMDB-MG) também acredita que não haverá “mudanças grandes”, mas “graduais”. “Eu acho que não será aquele tanto que falaram, ele (Temer) tem que reagrupar a base para depois tentar uma reforma mais ampla”, disse.

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“Centrão”

Recuo acontece em meio à negociação de Temer para conquistar a “lealdade” de partidos do chamado “centrão”, como o PP, PR e PSD, ao mesmo tempo em que tem de manter as siglas governistas satisfeitas para conseguir aprovar reforma da Previdência.

 

O PP já ameaçou deixar a base e, nos bastidores, atua para conseguir cargos. O presidente já estaria avaliando dividir as secretarias de Saneamento e de Habitação entre a sigla e o PMDB. O líder do PP na Câmara dos Deputados, Arthur Lira (AL), foi procurado pela reportagem, mas informou por meio da assessoria de imprensa que não falaria sobre o assunto.

 

Saiba mais


Se o centrão deve ganhar cargos, o PSDB pode ficar sem nenhum. A sigla comanda hoje três pastas, após Bruno Araújo pedir exoneração das Cidades, e está rachada na decisão de sair ou não da base de Temer. Embora desembarque ainda não esteja definido, ela já não garante maioria dos votos favoráveis ao presidente.


Os tucanos que ainda permanecem da gestão são Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Luislinda Valois (Direitos Humanos). Para o deputado Fábio Sousa (PSDB-GO), saída é positiva. “Se o PSDB perder todos os cargos, ele vai sair exaltado”.


De Brasília, outros deputados aliados que conversaram com O POVO evitaram fazer apostas sobre as mudanças. Um deles, que preferiu não ser nomeado, informou que o dia foi movimentado no Congresso, com reuniões de parlamentares com ministros e líderes partidários.

 

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