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Bancada cearense vota pela inclusão de cidades do sudeste na Sudene

Maioria dos deputados cearenses votou a favor de projeto de lei que aumenta o número de cidades do Sudeste contemplados pelo órgão sem ampliar os recursos. Municípios do Nordeste podem sair perdendo
01:30 | Nov. 03, 2017
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Sem resistência, bancada cearense na Câmara dos Deputados votou pela inclusão de mais 84 municípios do Sudeste — 81 de Minas Gerais e três do Espírito Santo — na área de atuação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).


O Projeto de Lei Complementar (PLC) 76/07, aprovado na terça-feira, 31, pode ser negativo para a região nordestina porque aumenta número de cidades sem ampliar os recursos do órgão.


Dos 14 cearenses que participaram da votação, dez foram favoráveis à mudança, enquanto três se opuseram e um se absteve. O POVO apurou que a bancada não se reuniu para discutir o assunto e uma parte votou sem o conhecimento da matéria, que ainda precisa passar pelo Senado.

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O deputado Vitor Valim (PMDB) argumenta que “incluir municípios sem aumentar recursos não é interessante” e que “só por isso” foi contra. Ele acredita que a maioria dos votos favoráveis são decorrentes da orientação partidária. Já Chico Lopes (PCdoB), que votou a favor, afirmou que votação foi feita sem discussão. Ele argumentou que os municípios que foram incluídos também precisavam dos investimentos.


Contrário, Raimundo Gomes de Matos (PSDB) preferiu a abstenção para evitar desgaste na sigla, que orientou o voto sim. Ele acredita que PLC vai “aumentar a desigualdade, ao incluir mais municípios sem o planejamento de fortalecer a Sudene”.


Para ele, esse caso “demonstra falta de articulação da bancada”, que não apresentou nenhuma emenda para “contrabalancear” a proposta dos mineiros. Gomes de Matos destacou o papel do deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), que presidiu a sessão. “Ele é de Minas e aproveitou o momento para aprovar logo”.


No total, foram 294 votos favoráveis, frente a 41 contrários. Coordenador na bancada do Nordeste, Júlio César (PSD-PI) votou contra. Ele afirma que os municípios foram incluídos “sem critério” e com motivações políticas. “Foi um arranjo. Quem estava presidindo era o Fábio, que colocou uns 30 itens na agenda, aí acabou passando. Os deputados não tiveram tempo de fazer uma reflexão”.


Ramalho se defende, afirmando que os municípios incluídos “têm os mesmos problemas do Nordeste” e que sessão foi conduzida “dentro da normalidade, seguindo o regimento interno”. Ele argumenta ainda que uma bancada forte, como a de Minas Gerais, pode contribuir para a busca de recursos para o órgão.


Bate-boca

Sessão foi estendida por Ramalho para que matéria fosse votada. Durante o debate, o presidente do Congresso Nacional Eunício Oliveira (PMDB), numa tentativa de adiamento da votação, foi até o Plenário e requereu a abertura de sessão conjunta. A estratégia desagradou Ramalho, gerando bate-boca entre eles. Ao final, o deputado afirmou que iria concluir a pauta.

 

Saiba mais


Os cearenses que votaram a favor foram: Chico Lopes (PCdoB), André Figueiredo (PDT), Leônidas Cristino (PDT), Vicente Arruda (PDT), Moses Rodrigues (PMDB), Macedo (PP), Cabo Sabino (PR), Vaidon Oliveira (PROS), Odorico Monteiro (PSB) e Luizianne Lins (PT). Os que votaram contra foram: Ronaldo Martins (PRB), Gorete Pereira (PR) e Vitor Valim (PMDB). A abstenção doi de Raimundo Gomes de Matos (PSDB).


Quase dois mil municípios fazem parte da Sudene, dos quais 161 já são de MG e 26 do ES.

 

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