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Disputa por comando do PSDB agrava tensões no partido

2017-10-21 01:30:00
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A queda de braço pelo comando do PSDB, travada pelos senadores Tasso Jereissati (CE) e Aécio Neves (MG), expõe ainda mais o racha no partido. O mineiro sofre pressão do cearense, que assumiu interinamente a liderança do partido em maio, após afastamento de Aécio por denúncias na Operação Lava Jato.


Tasso já defendeu publicamente a renúncia de Aécio do cargo. Há rumores de que o cearense articula, internamente, a saída do senador mineiro. Na última quinta-feira, 19, o tucano buscou apoio do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em reunião em São Paulo que durou cerca de três horas.

[SAIBAMAIS]

O encontro, que ocorreu no apartamento de FHC, é confirmado pela assessoria de comunicação de Tasso. A equipe, no entanto, nega que o futuro de Aécio tenha sido o assunto principal da conversa.


Nos bastidores, a tese é de que as articulações de Tasso teriam feito Aécio recuar da decisão de deixar de vez a presidência do partido. A expectativa do senador seria renunciar ao cargo na última quarta-feira, 18, mas a movimentação do cearense levaram o correligionário a adiar a decisão.


Aécio deve se posicionar na próxima semana, prazo limite que Tasso teria dado, sob ameaça de ele mesmo renunciar à presidência interina da sigla. Ao O POVO, a assessoria do tucano alegou que essas informações não passam de rumores e que o senador ainda não se pronunciou sobre a continuidade de Aécio no cargo.


Aécio evitou comentar a disputa com Tasso na volta ao Senado, após a Casa derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal de mantê-lo afastado do parlamento. Perguntado sobre o futuro na presidência do PSDB, o tucano cutucou Jereissati dizendo: “Não trato de questões partidárias na imprensa”.


Racha

Os tucanos admitem que as tensões entre Aécio e Tasso ampliam ainda mais o racha interno do partido e podem trazer repercussões

para a sigla.


O deputado federal Guilherme Coelho (PSDB-PE) diz que, como investigado, Aécio Neves deveria mesmo ter se licenciado da presidência do partido, mas que cabe a ele a decisão de deixar o comando da sigla.


“Por legitimidade, ele tem esse direito. Se ele achar por bem, continuar na presidência, é uma decisão dele”, considera o parlamentar.


Deputado pelo PSDB de Minas Gerais, Caio Nárcio classifica as investidas de Tasso como “equivocadas”. Para ele, a situação “em nada ajuda a melhorar a unidade do partido”.


“Se o Aécio decidir continuar como presidente do partido, acontece o quê?”, avalia o parlamentar, dizendo que as articulações do senador cearense são “retóricas”.

“Esse é o tipo de situação que o partido tem que sentar e resolver”, considera.

 

Saiba mais


O senador Tasso Jereissati assumiu interinamente a presidência nacional do PSDB em agosto, com o aval de Aécio Neves (MG), após afastamento do mineiro.


O senador Aécio Neves anunciou que Tasso ficaria no cargo "até o fim do ano", quando ocorrerá a convenção nacional do partido.

 

A convenção deve acontecer em dezembro.


É nessa ocasião que serão definidos os próximos dirigentes do partido tucano.


Aécio Neves é investigado, na Operação Lava Jato, por ter pedido R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista. Na última semana, o Senado votou pela retomada do mandato de Aécio, contrariando decisão da Primeira Turna do Supremo Tribunal Federal.

 

Rômulo Costa

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