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Aécio vai decidir sobre renúncia até a próxima semana

O senador Tasso Jereissati, presidente interino da sigla, afirmou após reunião da bancada no Senado, na noite de ontem, que "essa definição ficará a critério" do tucano mineiro, pressionado por ala para deixar cargo

01:30 | 19/10/2017
Tasso e Aécio: cearense pediu que mineiro renuncie à presidência MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Tasso e Aécio: cearense pediu que mineiro renuncie à presidência MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) deve decidir até a próxima semana se renunciará à presidência nacional do partido, da qual está afastado desde maio deste ano. A definição aconteceu em reunião da bancada tucana do Senado na noite de ontem, após dia de pressões sobre o mineiro, e foi anunciada pelo presidente interino da sigla, senador Tasso Jereissati.

“Definimos que a decisão final sobre qualquer medida que venha a ser tomada para ficará a critério do senador Aécio Neves, que vai fazer uma avaliação política e pessoal sobre todas essas questões que foram colocadas por todos os senadores”, afirmou o cearense. Segundo Tasso, não foi acertada data, mas “com certeza (será) na semana que vem”.

O tucano defendeu a renúncia de Aécio na manhã de ontem, justificando que o mineiro “não tem condições, dentro das circunstâncias que está”, de ficar no cargo. A declaração gerou mais uma crise interna na sigla. “Não trato de questões partidárias pela imprensa”, rebateu Aécio.

Mais tarde, no mesmo dia, Tasso minimizaria a declaração, afirmando que “todos” os tucanos deram opinião sobre o caso. “Não podemos ficar mais em situações provisórias, até mesmo a curto prazo. Ele (Aécio) tem plena consciência da crise que nós vivemos, da crise que o próprio partido vive, tem consciência dos deveres dele com o País e o partido”, disse.

Crise

A resposta de Aécio foi seguida por tucanos de ala mais ligada ao mineiro, como o deputado federal Geraldo Resende (MS), que, em entrevista ao O POVO, afirmou que prefere “aguardar e discutir internamente” a questão. “Acho que nós haveremos de discutir em uma reunião com todos do partido e ver qual é o melhor caminho para construir uma unidade”, disse.

 

O deputado federal Marcus Pestana, também em declaração à reportagem, classificou a fala de Tasso como “inútil”. “O PSDB está precisando de bandeiras e não de incendiários para garantir sua unidade e cumprir o seu papel em 2018”, criticou. Pestana disse ainda que Tasso “perdeu as condições de unificar o partido porque resolveu ser líder de apenas uma tendência”.

Ligado à ala mais “tassista”, o deputado federal Daniel Coelho (PE) afirmou que opinião de Tasso é da “maioria” da legenda, “em solidariedade ao Aécio, para que ele se defenda e também para que o partido não fique preso a essa questão do Aécio”.

Vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PB) também garantiu ser uma posição majoritária dentro do PSDB. “É um ato unilateral, mas existe um sentimento no partido de que ele deve formalizar a saída. Isso é inegável”, declarou.

colaborou Luan Carvalho - especial para O POVO

 

LETíCIA ALVES