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Ponto de vista

2017-09-05 01:30:00

Henrique Araújo, editor-adjunto de Conjuntura


Que Rodrigo Janot se fragiliza prestes a deixar o cargo, disso não há qualquer dúvida. O procurador-geral da República, que trava uma guerra renhida com Michel Temer, apostava as fichas em sua segunda denúncia contra o presidente. Agora, o jogo virou. A denúncia pode se manter, mas não terá a força que se supunha. Afinal, a peça acusatória do procurador funda-se nas delações da JBS, que são a espinha dorsal da Lava Jato nos casos envolvendo políticos com mandato. A lambança dos irmãos trapalhões, avalizada pela PGR, coloca em xeque o próprio instituto da delação premiada. Daí que o tropeço de Janot seja duplamente festejado: por Temer, que, mesmo na China, emitiu sinais inequívocos de satisfação. E pelos parlamentares citados nos trambiques delatados pelos executivos do frigorífico.

A possibilidade de que o acordo seja revisado é também um golpe duro na Lava Jato - não apenas porque faz as flechas de Janot se voltarem contra ele mesmo, mas porque, somando-se a outros episódios em que investigadores meteram os pés pelas mãos, fortalece o discurso segundo o qual a operação escolhe seus alvos e age partidariamente. Noutra frente, a omissão dos Batista, caso confirmada, eleva a temperatura no STF ao ponto da histeria. É nesse momento que a cobra pode morder o próprio rabo.

 

Adriano Nogueira

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