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Tasso e Aécio disputam comando do PSDB

Tucanos travam queda de braço pela liderança da sigla. Tasso Jereissati afirma que Aécio pode retomar comando da sigla quando quiser, mas que "não arreda pé". Senador mineiro aciona aliados para destituir Tasso
01:30 | Ago. 22, 2017
Autor Isabel Filgueiras
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Presidentes interino e licenciado do PSDB, os senadores Tasso Jereissati e Aécio Neves estão em pé de guerra pelo comando da sigla. De um lado, o cearense busca renovar a imagem da legenda, mesmo que contrarie caciques. De outro, o mineiro quer manter aproximação com o governo de Michel Temer. Embora Aécio não tenha se manifestado oficialmente, seus interlocutores já pedem a saída de Tasso da presidência tucana.


“Não precisa pressionar pela minha saída. Esse é um gesto unilateral do Aécio. Se ele quiser reassumir o comando do partido, é um direito dele. Agora, da minha parte, não vou arredar o pé”, disse Tasso.


Os ministros tucanos estariam no grupo dos que preferem uma eventual saída de Tasso. Mas a ala dos “cabeças pretas”, formada por mais jovens, querem que ele permaneça no mandato tampão até dezembro, quando será realizada a convenção nacional.

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Ataques a Tasso

Aliado do senador Aécio Neves (MG), o deputado Marcus Pestana (MG) defendeu ontem a saída de Tasso da presidência interina do PSDB. Pestana afirmou que, se o parlamentar permanecer no posto, o partido sairá esfacelado do governo.

 

“Infelizmente caminhamos para um impasse. Tasso agiu por seis vezes em curto espaço de tempo contra a posição majoritária. Agora ou ele se afasta e prevalece a visão da maioria, ou ele fica e o partido sai esfacelado do governo”, afirmou o deputado mineiro.


A declaração de Pestana é uma reação ao programa partidário do PSDB veiculado na quinta-feira passada, 17, em cadeia nacional de rádio e TV, no qual o partido critica o governo do presidente Michel Temer. Na propaganda, a legenda faz uma “autocrítica” por ter “aceitado o fisiologismo”.

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O programa provocou forte reação da ala do PSDB que defende a permanência no governo. Na sexta-feira passada, 18, vários tucanos já defendiam a saída de Tasso da presidência interina, só que apenas nos bastidores.


Tucanos da ala governista querem que Aécio reassuma a presidência do PSDB temporariamente e escolha outro vice-presidente para comandar o partido até dezembro, quando haverá nova eleição da executiva.


No entanto, no final de semana, o diretório municipal de São Paulo enviou nota dura contra Aécio, defendendo o afastamento do senador e a permanência de Tasso.

“Prove sua inocência, senador, e aí sim retorne ao partido”, registrava a nota.


Nos bastidores, uma ala do tucanato aposta no senador Flexa Ribeiro (PA) ou no deputado Giuseppe Vecci (GO) como substitutos de Tasso. As apostas em Flexa e Vecci se dão por exclusão entre os oito vice-presidentes da sigla.


Além deles e de Tasso, são vice-presidentes os deputados Carlos Sampaio (SP) e Mariana Carvalho (RO), o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman e os ministros Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Bruno Araújo (Cidades).


Os ministros, por ocuparem os cargos no governo, não poderiam assumir a presidência do partido. Já Sampaio, Marina e Goldman fizeram declarações públicas a favor do desembarque do PSDB do governo Temer.


Os dois primeiros, inclusive, votaram pela aceitação da denúncia contra Temer na Câmara, no início de agosto.

Com agências

 

Saiba mais

 

Intervenção

Senador Ricardo Ferraço afirma que o governo quer interferir em questões internas do PSDB.


"As reuniões do fim de semana só comprovam que, na prática, o governo, de certa forma, tenta fazer uma intervenção branca no PSDB, transformando-o em força auxiliar do governo, no sentindo de que o PSDB haja de acordo com os interesses dele", disse.

 

Encontro

Temer e Aécio se encontraram na última sexta, 18, no Palácio do Jaburu. A custou críticas a Aécio, como a feita por Ferraço. Aécio é investigado por ter pedido R$ 2 milhões aos donos da empresa frigorífica JBS no início deste ano.

 

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