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Presidentes de Assembleias criticam reforma política

Encontro reuniu representantes de Assembleias Legislativas do Nordeste. Para eles, reforma política discutida hoje no Congresso precisa de mais tempo de debate. Entidades formaram também colegiado de ALs
01:30 | Ago. 26, 2017
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Líderes de colegiados estaduais presentes no 1º Encontro de Presidentes das Assembleias Legislativas dos Estados do Nordeste, que aconteceu ontem na AL do Ceará, criticaram as propostas de reforma política que tramitam no Congresso.


Para Themístocles Filho (PMDB-PI), presidente do novo colegiado regional – formado também ontem –, a “reforma política deveria ser um tema para ser discutido no início de legislatura” e não agora, quando se aproximam do fim.

[SAIBAMAIS]

“Está sendo discutida (a reforma) no finalzinho. Tem até o dia 7 de outubro para definir esse tema. Então, ninguém sabe o que vai acontecer. Pode ter uma mudança, mas pode não acontecer nada”, disse o deputado estadual, também presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Piauí.

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De acordo com Filho, há confusão tanto no Congresso quanto na opinião pública, tamanha a quantidade de propostas apresentadas em tempo curto e apertado.


“Se tivesse mais tempo – se isso fosse decidido há três anos, por exemplo –, essa discussão seria mais efetiva e hoje todo mundo já saberia o que iria acontecer. Cada deputado lá em Brasília tem uma reforma na sua cabeça”, complementa.


Presidente da AL no Ceará, Zezinho Albuquerque (PDT) segue a mesma linha. Ele crítica o Congresso, onde “nem os próprios deputados sabem o que estão
deliberando”.


“Pela manhã, você tem notícias do distritão; quando é meio-dia, você não tem mais voto para o distritão. Coloca para votar às 15 horas, depois reforma e retira o distritão”, avalia. Zezinho também critica a falta de tempo para a elaboração de uma reforma e a proposta de um fundo eleitoral púbico de R$ 3,6 bilhões para financiamento de campanha.


Segundo o pedetista, o ideal seria que “fossem eleitos novos deputados federais para começar a discussão da reforma política”, mas o que temos são quase “35 dias para o dia 7 de outubro” para decidir como “milhões e milhões de pessoas vão votar, sem saber ainda como é que vão votar”, seja com “distritão misto, distritão fechado, financiamento público de campanha, federação, com ou sem partido e coligação”.


“E não concordo com esse fundo público de R$ 3,6 bilhões. Tanta grana, tanto dinheiro, precisando de saúde, educação, para retirar R$ 3,6 bi para isso. Tem que se encontrar um meio para que se faça isso”, acrescenta.

 

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Representando a Assembleia Legislativa de Alagoas, o vice-presidente Francisco Tenório (PMN) acredita também que, entre todas as mudanças propostas formalmente pelo legislativo, haverá ainda a do corpo de políticos, causada pelo cidadão que se vê em meio à crise política.


“Nessa crise extremamente forte – que vem provocando, inclusive, crise econômica –, onde se discute muito a corrupção, naturalmente vão surgir novas modificações.

A população começa a ver o político diferenciado e querer a ‘coisa nova’. É o momento do ‘novo político’”, analisa o deputado estadual alagoano.


Apesar de todos os nove presidentes de Assembleias Legislativas do Nordeste terem sido convidados, apenas um, além do próprio Zezinho Albuquerque, compareceu ao encontro: Themístocles Filho, que, por aclamação, foi eleito o primeiro presidente do colegiado regional.


Estiveram presentes representantes de outros cinco estados, entre vice-presidentes, deputados e procuradores.

 

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