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Encontro de Aécio com Temer irrita tucanos de São Paulo

Em nota dura, a executiva do PSDB na capital paulista exige do senador mineiro que "prove sua inocência antes de voltar ao partido". Temer, devido à repercussão, disse que o encontro tratou apenas da Cemig
01:30 | Ago. 21, 2017
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A Executiva do PSDB em São Paulo criticou e manifestou “desconforto” em relação aos encontros entre o senador Aécio Neves (MG), afastado da presidência do partido após ser acusado de pedir R$ 2 milhões do empresário Joesley Batista, e o presidente Michel Temer (PMDB).


Os dois tiveram uma reunião fora da agenda na noite da última sexta-feira, levando a executiva do diretório municipal do PSDB a soltar uma nota de repúdio. “A presença de Aécio Neves hoje, em reuniões internas ou públicas, só nos causa desconforto e embaraços. Prove sua inocência, senador, e aí sim retorne ao partido”, afirmou o diretório, acrescentando que o senador Tasso Jereissati (CE), presidente em exercício da sigla, é quem pode falar em nome do PSDB.


Após a repercussão negativa do encontro, Temer informou ontem em mensagens publicadas em sua conta no Twitter que o encontro com o senador mineiro foi para tratar da Cemig, dona de quatro hidrelétricas que o governo federal pretende relicitar para levantar R$ 11 bilhões e reduzir o rombo das contas públicas. “É assunto político. O tema é discutido pelo governo, aliados e equipe econômica”, afirmou Temer.

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“Senadores tratam dos assuntos de interesse de seu Estado. Nada mais normal. Teorias da conspiração são assunto de quem não tem o que fazer”, complementou o presidente, que também disse não entrar em assuntos internos dos partidos. “Não o fiz, nem o faria em relação ao PSDB.”


Em sua nota, a executiva do diretório do PSDB em São Paulo disse repudiar “veementemente” qualquer tentativa de articulação político-partidária entre Aécio e Temer.


Ninho em crise

A nota da executiva paulistana, porém, abriu uma nova crise dentro do partido, já que não encontrou respaldo entre outras lideranças tucanas. Pedro Tobias, presidente estadual do PSDB, defendeu que Aécio tem o direto de participar de encontros com Temer como senador e cidadão. “Acho lamentável”, disse Tobias, sobre a nota do diretório municipal. “Aécio foi sem representar o partido, já que está afastado. Ainda não foi condenado, é senador da República”, argumentou.

 

José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, considerou a nota “uma coisa totalmente fora de propósito”. “Quem fala em nome do PSDB somos todos nós, qualquer coisa diferente disso é censura. O Aécio é senador por Minas e se reuniu com o presidente para tratar da Cemig”, afirmou. Ainda sobre a nota, Aníbal reiterou: “o PSDB não pode conviver com esse tipo de censura”.

 

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