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Candidatos fazem caravanas de olho em 2018

2017-08-14 01:30:00
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A crise política que domina Brasília e as incertezas da reforma política em discussão e suas consequências para a disputa do ano que vem não impedem os “presidenciáveis” de dar a largada em suas (pré) campanhas no 2ª semestre. Como costuma acontecer em anos que antecedem eleições gerais, o calendário eleitoral se impôs no mês de agosto.


No ranking de milhagens, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) despontam na frente dos demais.


Doria, que tenta se firmar como antagonista do PT, vai passar por 9 cidades em 8 Estados em quatro semanas. Quando questionado sobre a razão dos deslocamentos, o prefeito costuma dizer que São Paulo “é uma cidade brasileira” e que todos os custos são pagos por ele, que viaja em seu próprio avião.


Só entre junho e agosto, o tucano recebeu 37 convites para eventos fora do Estado. Disse ter aceitado os que mais se conectavam com sua estratégia. As viagens selecionadas para agosto indicam tentativa de ganhar terreno no Nordeste, reduto histórico petista.


Aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB), padrinho político de Doria, se dizem “perplexos” com a agenda do prefeito. Alckmin reagiu e colocou o pé na estrada, indo a Brasília semana passada pressionar a Executiva do PSDB a antecipar escolha do candidato ao Planalto.


Avesso a viagens, o governador, que costuma “jogar parado”, visitou Porto Alegre na sexta-feira e Florianópolis ontem. Até o fim do mês ele pretende ir a Fortaleza, onde será recebido pelo senador Tasso Jereissati (CE).


Mesmo ameaçado de não concorrer caso seja condenado em 2ª instância no caso do tríplex do Guarujá (SP), Lula vai percorrer, em 18 dias, 25 cidades em 9 Estados com críticas às reformas do governo Michel Temer, contra o que chama de “golpe” e em defesa de uma agenda que remonta às origens do PT.


Condenado na Lava Jato a 9 anos e 6 meses de prisão, o petista recorre à estratégia das caravanas, usada pela primeira vez em 1993 e repetida em 2001, tanto para fazer sua defesa quanto para amarrar alianças, capitalizar as realizações de seus governos e apresentar propostas para a campanha de 2018.


O terreno escolhido é o Nordeste, onde o petista sempre obteve maiores votações. No trajeto, que será feito quase todo de ônibus, Lula visitará cidades contempladas por programas de governos petistas, como o Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, ProUni e Bolsa Família.


Ciro Gomes é outro “presidenciável” que intensificou a agenda no 2º semestre. Tem feito palestras, reuniões com integrantes do PDT e dado entrevistas de Norte a Sul. Embora tenha dito ao jornal espanhol El País que gostaria de disputar a eleição de 2018 tendo o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) como vice, sua assessoria diz que o objetivo das viagens não é eleitoral.


Aliados consideram que “passou da hora” de a ex-ministra Marina Silva (Rede) ter uma “agenda presidenciável” e colocar a campanha na rua.

Mesmo na Rede está claro que é impossível contar apenas com o recall da eleição de 2014 e que o tempo será decisivo para a candidatura.


Já Jair Bolsonaro (PSC-SP) “queimou a largada”. No 1ª trimestre, esteve em Minas, Paraíba e São Paulo. Na ocasião, foi acusado de usar cota parlamentar para custear viagens, o que foi negado por sua assessoria. Agora, Bolsonaro parece concentrado em escolher com qual partido “vai se casar”. Deixando PSC para ser candidato, ele afirmou semana passada estar “noivo” do PEN. (AE)

Adriano Nogueira

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