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Apesar de críticas, Tasso mantém campanha do PSDB na TV

Vídeo que admite "erros" do partido foi motivo de crise entre caciques tucanos em reunião da Executiva nesta semana. Divisão na legenda se aprofunda em meio a denúncias e apoio a governo de Michel Temer (PMDB)
01:30 | Ago. 11, 2017
Autor Isabel Filgueiras
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O PSDB, em geral, concorda que o partido precisa passar por uma reformulação. A maneira que o presidente interino da sigla, senador Tasso Jereirssati, resolveu conduzir a campanha, porém, incomodou governistas e alguns caciques. Em vídeo que será divulgado na íntegra no dia 17 de agosto, a legenda fará uma espécie de mea-culpa sobre os erros cometidos nos passado recente e no presente.


Há três dias, uma prévia da campanha foi divulgada nas redes sociais do PSDB e causou alvoroço em reunião da Executiva. “O PSDB acertou quando criou o Plano Real, mas agora errou”, diz a narradora em um dos trechos do vídeo.


A maioria dos que criticam a peça publicitária é mais ligada ao governo Temer, que possuem cargos, ou ligados ao senador Aécio Neves, que encararam o vídeo como uma afronta ao senador, que está sendo investigado por suposto crime de corrupção. Aécio disse que não foi consultado sobre o material. “Acho que é uma tentativa de uma reconexão do PSDB com a sociedade”, minimizou.

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Houve ainda quem interpretasse que os “erros” se referissem à aliança com Temer, já que não eram específicos. A aliança, segundo Aécio e o governador Geraldo Alckmin, é assunto encerrado. O PSDB, segundo eles, continuará no governo.


Tasso rebateu as críticas. O presidente da sigla argumentou que este é o momento para fazer um aceno de autocrítica à população, mesmo que o apontamento aos erros não seja específico. A ideia é de que os tucanos tentem se diferenciar de outras legendas e do PT.


Para o deputado federal Daniel Coelho, um dos líderes dos cabeças pretas, que querem a saída do governo e renovação da sigla, Tasso demonstrou coragem e ousadia.


Ele teve acesso ao roteiro do programa, que ainda está sendo editado pela agência de propaganda. “Fala do retorno às origens. Vivemos num país cristão e a base do cristianismo é reconhecer seu erro, se arrepender e pedir perdão. Esse reconhecimento do erro é sincero. Não pode achar normal as alianças políticas da maneira que são praticadas”, disse.


Coelho conta ainda que a narrativa aborda as mordomias criadas, os gastos excessivos na Câmara e no Senado, tece críticas à política, sem isentar o PSDB, sempre reconhecendo a parcela de culpa do partido no atual cenário. Também contempla a bandeira do parlamentarismo. (com agências)

 

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Propaganda


A propaganda tucana foi elaborada pelo publicitário Einhart Jacome, ligado a Tasso. Ele trabalhou para o senador de 1986 a 1994, época em que Tasso foi governador do Ceará. Após esse período, Jacome foi convidado a trabalhar na campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso.


No vídeo completo, o PSDB também deve fazer um mea-culpa por não ter feito a defesa do modelo parlamentarista no Brasil, sistema que foi rejeitado em plebiscito de 1993.


Alckmin e Temer


O governador de São Paulo, tucano Geraldo Alckmin, um dos favoráveis ao desembarque do PSDB do governo, disse ontem que o presidente tem um problema de legitimidade que dificulta as coisas.


“Então é claro que o governo sofre um grande problema de falta de legitimidade, o que dificulta a governabilidade". Ele se prepara para ser candidato à Presidência em 2018.

 

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