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A estratégia de Doria

01:30 | Ago. 19, 2017
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Henrique Araújo, editor-adjunto de Conjuntura


O prefeito de São Paulo adota uma estratégia arriscada: a de concentrar suas armas retóricas em antagonizar com o ex-presidente Lula, cujo futuro político é incerto. O tucano investe em apresentar-se como o nome anti-Lula, capaz de desbancar o petista num eventual pleito ano que vem. Ocorre que sequer Lula aposta todas as fichas em sua participação nas eleições, e se agora percorre o país é também porque precisa fazer frente às acusações na Operação Lava Jato. Eis, portanto, o perigo para Doria: sem Lula no páreo, sua gramática beligerante se esvazia. Como tem pouco a apresentar até aqui como o gestor modelo que diz ser - o prefeito está há apenas sete meses à frente da capital paulista - e nenhuma ideia do que seja governar o Brasil, suas armas tendem a se resumir a um conjunto mal-alinhado de palavras duras cuspidas com elegância contra o lulismo. Para se tornar realmente competitivo, o tucano precisa superar essa dualidade, sem a qual pode ver sua candidatura naufragar e seu padrinho político Geraldo Alckmin ganhar terreno. Sem uma plataforma, sem ideias e sem um discurso que não seja o de enfrentamento, com expressões colhidas no pior do léxico das caixas de comentários, o prefeito terá quase nada a acrescentar ao debate público.

 

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