Participamos do

Liberação de emendas a parlamentares aumenta 75% em maio e junho

Dinheiro vai para projetos de parlamentares. Estratégia é comum em momentos de crise e votações importantes. Além das reformas, Temer precisa de votos suficientes para barrar denúncia da PGR no Câmara
01:30 | Jul. 06, 2017
Autor Isabel Filgueiras
Foto do autor
Isabel Filgueiras Autor
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

O presidente Michel Temer (PMDB) repassou quase R$ 1 bilhão, dois terços do total do semestre (aproximadamente R$ 1,5 bilhão) nos meses que seguiram a denúncia de Joesley Batista, dono da JBS, contra ele. Acusado de corrupção passiva, Temer aumentou o repasse de emendas, verbas de uso dos parlamentares, em 75% nos meses de maio e junho. O levantamento foi feito por meio do Siga Brasil, plataforma do Senado que acompanha esse tipo de recurso.


A estratégia é recorrente em momentos de tensão e negociação entre Executivo e Legislativo. Quando há votações importantes e difíceis é comum que o presidente libere verbas para emendas, que são projetos dos parlamentares. Normalmente, esse dinheiro é usado em obras na base eleitoral do político.


No mesmo período do ano passado, por exemplo, quando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) tentava se salvar do processo de impeachment, ela também aumentou a liberação de recursos para emendas. Mesmo assim, Dilma só liberou cerca de R$ 500 milhões para, em tese, ajudar a se livrar da deposição. Temer triplicou esse valor na suposta tentativa de aprovar reformas e se livrar da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele é acusado de corrupção passiva e precisa conquistar 172 votos no Plenário da Câmara para barrar a denúncia.

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine

Do total liberado em emendas no primeiro semestre de 2017, mais de 80% foram para senadores e o restante para deputados. No topo do ranking de beneficiados pelos recursos estão os senadores José Serra (R$ 9,6 milhões) e Marta Suplicy (R$ 9,4 milhões). Logo atrás está o deputado Sérgio Reis (R$ 8,3 milhões) e os senadores Flexa Ribeiro (R$ 8 milhões) e Ricardo Ferraço (R$ 7,9 milhões).


Ferraço (PSDB) foi o relator da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado e recebeu R$ 7,6 milhões nos meses seguintes ao seu relatório com parecer favorável à reforma. Apesar do investimento, o texto foi rejeitado na Comissão.


Entre os parlamentares cearenses, o senador Tasso Jereirssati (PSDB) foi quem mais se beneficiou, com R$ 5,8 milhões em emendas neste primeiro semestre do ano. Atual líder do governo na Câmara, Baleia Rossi chegou a receber R$ 7,5 milhões.


Reformas

Apesar da crise e contingenciamento de recursos, Temer planeja gastar R$ 15 bilhões em emendas neste ano. Em 2015 e 2016, esse tipo de despesa ficou abaixo dos R$ 10 bilhões. Em março, no calor do debate sobre as reformas, quando se formavam as comissões, Temer desembolsou R$ 422 milhões. O mês antecedeu a votação da reforma trabalhista na Câmara.

 

Saiba mais


Saúde

Do total liberado, 70% foi destinado ao ministério da Saúde., reflexo de lei que vincula a liberação de emendas a recursos para o setor. A maior parte da verba foi para Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Fidelidade da base

O presidente Michel Temer liberou mais recursos para emendas parlamentares, em seus primeiros sete meses à frente do Palácio do Planalto, no ano passado, do que a presidente cassada Dilma Rousseff durante todo o ano de 2015. Ele tem demonstrado força no Congresso, com uma base mais fiel que a da antecessora. No governo Dilma, parlamentares reclamavam da falta de liberação de verba de emendas. Na época, o governo justificava que não havia recursos devido ao contingenciamento.

[FOTO1]

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente