PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Curitiba é o começo, mas não pode ser o fim

2017-07-07 01:30:00

Guálter George, editor-executivo de Conjuntura


Primeiramente, não há como negar que a Operação Lava Jato está sob ataque. Desde a conversa gravada de Sergio Machado com o senador Romero Jucá (PMDB), ainda durante o governo Dilma Rousseff, que ficou absolutamente explicitado o interesse inconfesso dos caciques peemedebistas de “estancar a sangria”. Este é um lado da questão. No outro, há uma sensibilidade que parece excessiva, às vezes. O esforço concentrado inicial foi determinante, de fato, para os avanços extraordinários da investigação, inclusive com envios de procuradores, delegados e agentes de outros estados para garantir o ritmo frenético que os desdobramentos iam determinando. No entanto, era impossível imaginar que assim fosse indefinidamente. Em algum momento, com PMDB ou sem ele, algo precisaria ser feito para não comprometer o funcionamento geral do Ministério Público e da Polícia Federal, em unidades que se espalham por todo o País e que igualmente demandam soluções para os problemas que lhes são apresentados. O importante é que a descentralização anunciada aconteça de forma eficiente. O exemplo do Rio de Janeiro, onde um desdobramento da Lava Jato está levando ao desmonte de um gigantesco esquema de conluio entre agentes públicos e empresários, nos mostra que nem só de Curitiba vive o combate institucional à corrupção no qual o País se encontra envolvido de maneira inédita. Reconheça-se que muito em função do que começou a acontecer em terras paranaenses, lá em março de 2014.

 

Adriano Nogueira

TAGS