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Obra em área de proteção é embargada e Cid alega perseguição politica

Segundo fiscalização, teria havido crime ambiental em área de proteção na serra. Ex-governador reclama de perseguição política por parte do superintendente do Ibama, ligado aos rivais do PMDB Moses Rodrigues e Eunício
01:30 | Jun. 08, 2017
Autor Carlos Mazza
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Carlos Mazza Repórter de Jornalismo de Dados
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Operação conjunta do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e do Ibama embargou ontem obra em uma área de proteção ambiental na Serra da Meruoca, Região Metropolitana de Sobral. Dono de 50% das cotas da empresa que conduzia a construção, o ex-governador Cid Gomes (PDT) diz que a ação estava regular e se diz alvo de “clara perseguição política”.

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Localizada em um dos pontos mais elevados da Meruoca, com ampla vista de Sobral e da Serra, obra preparava dez lotes da empresa Condomínio Terra Nova e Comunicações Ltda. Segundo cadastro de sócios da Receita Federal, empreendimento soma capital social de R$ 240 mil e tem cotas divididas entre Cid e o empresário Disraeli Ponte.


Em nota, o ICMBio afirma que realizou a operação após a Ouvidoria do órgão receber uma série de denúncias sobre o empreendimento. Segundo o Instituto, a fiscalização confirmou dano ambiental das obras à APA da Serra da Meruoca, gerando a autuação e embargo da área. O órgão não confirma, no entanto, valor da multa aplicada.

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Por meio de sua assessoria de imprensa, Cid Gomes afirma que ação foi “arbitrária” e teve motivações políticas, e que a obra estava regular e com alvará de licença em dia. Em nota, ela destaca que o atual superintendente do Ibama no Ceará, Herbert Lobo, foi indicado pelo deputado federal Moses Rodrigues e pelo senador Eunício Oliveira, ambos do PMDB e adversários políticos dos Ferreira Gomes em Sobral.


Assessoria do ex-governador destaca ainda que o empreendimento não se trata de “mansão” nem de “condomínio de luxo”, mas sim de um “pequeno lote” de propriedade do ex-governador. “São apenas alguns lotes, que serão revendidos depois”.


O ex-governador afirma ainda que irá recorrer à Justiça e diz que confia na retomada das obras. “Cid Gomes está sendo vítima de arbitrariedade e clara perseguição política (…) a Justiça será acionada contra a arbitrária e descabida sanção aplicada”, diz.


Dono da outra metade das cotas do empreendimento embargado, o empresário Disraeli Ponte também foi procurado pela reportagem, mas não foi localizado. Ele é proprietário também da empresa Easy Taxi Aéreo, envolvida em outra polêmica durante o governo Cid Gomes.


Em 2015, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) abriu investigação para averiguar possíveis irregularidades em contratos da empresa com o governo cearense. À época, o governo negou todas as acusações. Segundo dados do Portal da Transparência, a empresa recebeu R$ 32,3 milhões do Estado entre 2007 e 2014, período da gestão Cid, pelo aluguel de aeronaves.

 

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O embargo de uma obra por suporto crime ambiental é mais um problema enfrentando por Cid em 2017. Em maio, durante delação premiada, os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, afirmaram que o ex-governador recebeu R$ 20 milhões em propina em troca da liberação de recursos referentes a créditos de ICMS a que a empresa teria direito, no valor de R$ 110 milhões. Cid diz que não recebeu “um centavo” e que processará a dupla.


A Justiça Federal ainda acatou denúncia do MPF contra Cid, o transformando em réu por suposto crime contra o Sistema Financeiro Nacional. Ele também nega.

 

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