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Interino diz que saiu porque Ministério entrou na "roda de disputa"

João Batista de Andrade comandava o Ministério da Cultura desde saída de Roberto Freire. Deputado André Amaral é nome mais cotado para vaga
01:30 | Jun. 17, 2017
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O ministro interino da Cultura, João Batista de Andrade, disse ontem que decidiu deixar o cargo após perceber que o posto estava sendo negociado pelo governo com outros partidos da base. O titular anterior, Roberto Freire (PPS), pediu demissão do cargo, em maio, após a crise gerada pela delação do empresário Joesley Batista, da JBS.

[SAIBAMAIS]

O Palácio do Planalto decidiu tirar a vaga do PPS em retaliação ao fato de Freire ter deixado o cargo e cobrado a renúncia do presidente Michel Temer.


Andrade justificou o pedido para sair do comando da pasta afirmando que há uma “deterioração” do ambiente político e que ele não queria ficar no meio “dessa roda de disputa”. “Eu não vim aqui atrás de cargo, vim fazer política cultural”, disse.

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O ministro interino afirmou também que o corte de mais de 40% do orçamento da pasta tornou o funcionamento do ministério “inviável”. “A verdade é que os governantes não ligam muito para o Ministério da Cultura”, disse.


Ele também comentou que a sua indicação para ocupar o cargo de presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine) foi ignorada e que Temer preferiu colocar outra pessoa no lugar. “Se eu como ministro não posso indicar os nomes das agências que estão ligadas à pasta, o que eu estou fazendo aqui? É um grau de desprestígio muito grande. Isso vai desgastando”, apontou.


Filiado ao PPS, Andrade é escritor, roteirista e cineasta. Antes do ministério, foi nomeado secretário de Cultura do Estado de São Paulo em 2005 e, entre 2012 e 2016, exerceu a função de presidente da Fundação Memorial da América Latina (SP).


O governo deve efetivar a troca na Cultura quando o presidente Michel Temer retornar da viagem para Rússia e Noruega na sexta-feira, 23. O nome mais cotado é o deputado André Amaral (PMDB-PB).


Marta recusou convite

A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) foi convidada pela Presidência da República a assumir o Ministério da Cultura, mas recusou.

 

O convite foi feito há algumas semanas, antes do pedido de demissão do ministro interino João Batista Andrade. O governo já não tinha a intenção de efetivá-lo por causa de desgastes envolvendo a nomeação da presidência da Ancine (Agência Nacional de Cinema). Andrade queria que a produtora Debora Ivanov ocupasse o cargo, mas o governo Michel Temer preferiu outra indicação.


Saiba mais


Marta Suplicy já ocupou o Ministério da Cultura entre 2012 e 2014, no governo Dilma Rousseff, e era um dos dois principais nomes considerados pelo governo para a pasta. O outro é o do deputado André Amaral (PMDB-PB).


Roberto Freire decidiu deixar o cargo logo após o presidente Michel Temer anunciar que não renunciará à presidência da República por causa das denúncias de que Temer teria pedido ao empresário Joesley Batista, dono da JBS, que desse dinheiro ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso em Curitiba, na Operação Lava Jato.


O deputado paraibano André Amaral nada comentou ainda sobre convite. Filiado ao PMDB e eleito com 6 mil votos em 2014, Amaral é conhecido como um dos mais entusiasmados defensores da vaquejada.

 

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