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Temer: um perna de pau

01:30 | Mai. 23, 2017
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Henrique Araújo, editor-adjunto de Conjuntura


Com fama de habilidoso politicamente, Michel Temer tem metido os pés pelas mãos desde que o escândalo da JBS estourou no seu colo. Em seu primeiro pronunciamento, na quinta da semana passada, admitiu que havia sido informado sobre os pagamentos mensais a Eduardo Cunha, o "passarinho" preso em Curitiba. Na ocasião, porém, atribuiu o gesto a uma "ajuda humanitária" do delator Joesley Batista. Horas depois, conhecido o conteúdo dos áudios, o presidente mudaria sua versão, enfatizando que o trecho deixava claro que ele não assentira para a compra do silêncio de Cunha, mas para a boa relação do empresário com o deputado cassado. Já no sábado, depois que o STF havia autorizado a abertura de inquérito para investigá-lo, Temer foi à TV para dar novas explicações. Falou por 13 minutos. Enrolou-se inteiro, negando as aparências e disfarçando as evidências: seletivo, o peemedebista ignorou o rosário de crimes desfiado pelo delator e se concentrou em supostas manipulações constatadas na gravação por peritos consultados por dois jornais. Agora, o presidente desiste da estratégia de pedir a suspensão da investigação no STF, num movimento com claro sentido político: evitar uma derrota no plenário da Corte e a sangria de aliados, que se mantinham à espera do veredicto para dizer se desembarcariam do governo. Dessa maneira, o Dia D saltou para 6 de junho, quando o TSE começa a julgar o pedido de cassação da chapa. Temer ganhou tempo. Pouco, é verdade, mas, para o comandante de um navio prestes a afundar, cada segundo é valioso.

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