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Temer desiste do pedido de suspensão do inquérito no STF

O presidente aposta que indícios de edição no áudio de sua conversa com Joesley deve invalidá-lo como prova. Mudança de estratégia aconteceu após decisão de Cármen Lúcia de que o pedido só seria julgado após perícia
01:30 | Mai. 23, 2017
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Mudando de estratégia para não sofrer derrota no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Michel Temer (PMDB) recuou no pedido de suspensão do inquérito contra ele e enviou nova petição ao órgão para que o caso seja “concluído o mais rápido possível”.

[SAIBAMAIS]

O anúncio foi feito pelo advogado do peemedebista, Gustavo Guedes, após rápido encontro com o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF. “O presidente quer dar essa resposta ao País o mais rapidamente possível e que, portanto, isso se encerre o mais rapidamente possível. Isso que a gente quer”, disse.


Em entrevista à Folha de S. Paulo publicada ontem, Temer reafirmou que não vai renunciar. “Se quiserem, me derrubem, porque, se eu renuncio, é uma declaração de culpa”, disse. O presidente também afirmou que não sabia que Joesley Batista, um dos donos da JBS, estava sendo investigado. “Ele disse na fala comigo que as pessoas estavam tentando apanhá-lo, investigá-lo”, explicou.

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Gravação

A mudança de estratégia da defesa aconteceu após a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo, informar que o primeiro pedido de Temer só iria ser julgado após a conclusão da perícia na gravação da conversa do presidente com Joesley. Inicialmente, o julgamento dessa questão de ordem estava marcado para a próxima quarta-feira, 24.

 

O julgamento de quarta era esperado com ansiedade pela classe política. A base aliada de Temer aguardava o resultado e o posicionamento dos ministros para decidir se permanecia ou não ao lado do peemedebista.


Segundo Guedes, a defesa “se sentiu atendida” com a decisão de Cármen Lúcia. “Eu vim dizer (a Fachin) que, diante desse deferimento, não víamos mais a necessidade de suspender o processo”, explicou. Guedes afirma, ainda, que perito Ricardo Molina, contratado por Temer, encontrou 70 pontos de “obscuridade” na gravação.


Molina afirmou que “tem certeza” de que a Polícia Federal, que fará análise oficial da gravação, vai identificar os cortes. “As falhas são mais que suficientes para jogar gravação no lixo”, disse. Segundo o perito, o áudio é prova imprestável para fins judiciais”.


A defesa aposta fortemente na manipulação dos áudios. Segundo Molina, existem inúmeros pontos na gravação que poderiam ser efetuados cortes sem deixar nenhum vestígio, além de descontinuidades e ruídos de mascaramentos. “Em qualquer processo corriqueiro esse tipo de gravação é descartado por possuir demasiados indícios de possível edição”, defendeu. (com agências de notícias)

 

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