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Secretários citados permanecem no governo Camilo

A decisão foi tomada pelo governador do Ceará após reunião com o Conselho por Resultados e Gestão Fiscal ontem, no Palácio da Abolição. Oficialmente, a informação é de que o assunto não foi tratado no encontro
01:30 | Mai. 22, 2017
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Os dois secretários citados por Wesley Batista em delação premiada devem continuar no governo. Um dos donos da JBS, empresa investigada na Operação Lava Jato, Batista acusa os secretários de intermediar pagamento de propina de R$ 20 milhões para a campanha de Camilo ao governo do Estado em 2014.

[SAIBAMAIS]

O POVO apurou que a decisão foi tomada ontem, em reunião a portas fechadas entre Camilo e membros do Conselho por Resultados e Gestão Fiscal (Cogerf).


Arialdo Pinho (Turismo) e Antonio Balhmann (Assuntos Internacionais), que na época ocupavam os cargos de chefe da Casa Civil de Cid Gomes e deputado federal, respectivamente, teriam liberado pagamento de uma dívida de R$ 110 milhões do Estado com a JBS em troca de repasse.

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Segundo uma fonte ligada ao governo, uma parte do secretariado de Camilo quer o afastamento imediato de ambos, enquanto outra alega que a atitude poderia funcionar como “condenação prévia”. O governador decidiu, então, manter os secretários em suas funções.


Marcado para a hora do almoço, o encontro não foi divulgado para a imprensa com antecedência, tendo sido confirmado horas depois. Participaram Nelson Martins (Casa Civil), Mauro Filho (Fazenda), Flávio Jucá (Controladoria e Ouvidoria Geral) e Juvêncio Vasconcelos (Procuradoria-Geral do Estado), além de Maia Júnior (Secretaria de Planejamento e Gestão), que articulou a reunião.


De acordo com o titular da Seplag, não é incomum encontros acontecerem aos fins de semana. Maia explicou ter agendado a conversa na quinta-feira, 18, dia em que o conteúdo das delações da JBS começou a vir à tona, para “avaliar as consequências econômicas do que está acontecendo”.


O governador, ele conta, estaria doente naquele dia e, no seguinte, teria viagem marcada para o Interior.

A única data restante seria teria sido o domingo.


“Eu já participei de outras reuniões no fim de semana”, disse Maia., negando em seguida que a situação de Pinho e Balhmann tenha sido discutida no encontro. Sobre isso, ele preferiu não comentar. “Tem que falar com a área política, eu trato sobre a economia”, desconversou.


Procurado, Nelson Martins não atendeu as ligações da reportagem. A assessoria de imprensa do governador não confirmou a decisão de manter os secretários citados em delações.


O POVO tentou contato com Pinho e Balhmann, mas eles não foram localizados. A assessoria de Pinho afirmou que ele está viajando.


Por meio de nota enviada no último sábado, 20, a assessoria de Balhmann informou que “o apoio do Grupo JBS ao deputado justifica-se pelo trabalho sério desenvolvido pelo parlamentar em prol da consolidação do setor calçadista e da geração de emprego e renda para o Ceará”.

 

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A reunião de ontem na residência oficial foi cercada de algum mistério. A assessoria do governador chegou a negar que aconteceria, justificando que o governador Camilo Santana estava adoentado e com atividades oficiais suspensas. De fato, no sábado ele estava descansando em sítio próximo a Fortaleza, mas retornou no final da manhã para comandar o encontro com o grupo de secretários.

 

Maia Júnior adiantou que a orientação de Camilo é que o conselho “fique atento e acompanhe de perto a situação do País para antecipar alguma medida” que evite que economia do Estado seja atingida.

 

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