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Palocci busca delação na Lava Jato e encerra semana de crise

Com instituições em xeque, votações-chave no Congresso e avanços da Lava Jato, agenda da semana ampliou polarização no País e já antecipa assuntos que ficarão nos holofotes da política durante as próximas semanas
01:30 | Mai. 13, 2017
Autor Carlos Mazza
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Carlos Mazza Repórter de Jornalismo de Dados
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Tipo Notícia

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Decidindo firmar acordo de delação premiada, o ex-ministro Antonio Palocci fechou ontem semana das mais movimentadas da política brasileira nos últimos anos. Com instituições em xeque, votações-chave no Congresso e o aguardado encontro entre o ex-presidente Lula e Sergio Moro, agenda polarizou o País e já antecipa temas que ficarão nos holofotes nas próximas semanas.

 

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No centro dos episódios, o PT acaba saindo como mais atingido na semana. Em período que já começou com depoimento de Lula, o partido viu ainda delação de João Santana e sua esposa, Mônica Moura, implicarem diretamente o ex-presidente e sua sucessora, Dilma Rousseff.


Segundo a esposa de Santana, Dilma teria inclusive criado um email falso, com codinome “Iolanda”, para se comunicar com ela e o marido. A ex-presidente teria também sugerido que o casal transferisse uma conta irregular da Suíça para Cingapura, onde seria “mais seguro”.

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Na tarde de ontem, o partido ainda entrou na mira da Justiça mais uma vez, após Palocci afastar o advogado José Roberto Batochio de sua defesa. Segundo ele, o afastamento seria uma “primeira exigência” da força-tarefa da Lava Jato para uma delação, uma vez que Batochio se mostra contrário ao acordo.


Preso desde setembro passado e réu em duas ações da Lava Jato, Palocci é acusado de ter recebido R$ 128 milhões em propinas da Odebrecht - sendo parte do dinheiro destinado ao PT. Ao ser interrogado por Moro sobre o caso em abril, o ex-ministro acenou possibilidade de fazer delação, destacando que tinha dados para esticar por mais um ano trabalhos da Lava Jato.


Se sai atingido, o PT também ganha espaço após protestos em todo o País no dia do depoimento de Lula demonstrarem força do petista.


Previdência e STF

Semana foi marcada ainda pela aprovação, em comissão da Câmara, da reforma da Previdência. Votada em meio a protestos, o projeto seguiu para plenário na mesma semana em que Michel Temer (PMDB) completou um ano de governo. A expectativa é que projeto gere nova onda de protestos ao entrar na pauta.

 

Há ainda 3ª crise, aberta nesta terça-feira após a Procuradoria-Geral da República pedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) declare Gilmar Mendes impedido de julgar no caso Eike Batista.


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aponta que a esposa de Gilmar, Guiomar Mendes, atua no escritório que faz a defesa de Eike. Tensões aumentaram após o ministro Marco Aurélio Mello se declarar impedido no caso usando argumento no mesmo sentido do da PGR. (com Agência Estado)

 

Saiba mais


A presidente cassada Dilma Rousseff, por meio de nota, que os marqueteiros João Santana e Mônica Moura constroem "versões falsas e fantasiosas" para conseguir liberdade e redução de pena.


"A presidente Dilma nunca negociou doações eleitorais ou ordenou quaisquer pagamentos ilegais a prestadores de serviços em suas campanhas ou fora delas", diz a nota.


A petista ainda negou que tenha tratado de caixa 2 ou pagamentos no exterior com o casal. Em relação ao trecho do depoimento em que Santana e Mônica dizem que Dilma informava os dois sobre a Lava Jato, a nota disse que a versão é "fantasiosa". “Não tem a menor plausibilidade. Dilma jamais recebeu dados sigilosos”

 

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