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"Não renunciarei", afirma Temer após delação da JBS

Em dia dramático para a economia, Michel Temer se tornou alvo de inquérito e viu vir à tona gravação que complica sua permanência no poder. Ele nega, no entanto, deixar o cargo
01:30 | Mai. 19, 2017
Autor Carlos Mazza
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Carlos Mazza Repórter de Jornalismo de Dados
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Dois principais trunfos de Michel Temer, a base sólida no Congresso e a gradual melhora da economia foram implodidos ontem pelos avanços da Lava Jato e deixaram sinais de um governo à deriva. Em escalada da pressão política que obrigou Temer a vir a público descartar renúncia, o presidente se tornou alvo de inquérito na Operação e viu vir à tona gravação que coloca sua permanência no cargo no limiar do insustentável.


Em áudio incluído na delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS, o empresário revela a Temer que estava “comprando” um procurador da República em troca de dados sigilosos sobre investigações contra ele. Na gravação ocorrida em março no Palácio do Jaburu, Temer é informado ainda sobre plano para interferir nas investigações – e não reage contra.


Outra denúncia da delação, de que o presidente teria dado aval para “compra” do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Lava Jato, ainda segue inconclusiva. Na gravação divulgada ontem, parte dos trechos em que os dois conversam sobre Cunha é inaudível. Em dado momento, Batista informa que está “de bem” com Eduardo, ao que Temer responde: “Tem que manter isso, viu?”.

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No acordo de delação premiada, no entanto, o empresário afirma que os trechos inaudíveis diziam respeito a acertos em dinheiro. Antes de citar que está em bom relacionamento com o deputado cassado, Joesley Batista relata já ter sido cobrado por ele.


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“Dentro do possível, eu o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de alguma pendência daqui para ali, zerou tudo. E ele foi firme em cima. Ele já estava...Veio, cobrou, tal, tal, tal”, disse. Depois da orientação de Temer em “manter” a iniciativa, Joesley responde “todo mês”. Até agora, não foi divulgada transcrição oficial do diálogo.


Paralelamente ao levantamento do sigilo das delações da JBS, o relator da Lava Jato, Edson Fachin, determinou que a Procuradoria-Geral da República abra inquérito contra o presidente no caso.


Já o procurador da República Ângelo Goulart Villela, provável representante do MPF citado pelo empresário, foi preso ontem sob suspeita de vazar investigações para a JBS. Villela era membro da força-tarefa da Operação Greenfield, que apura rombo bilionário em fundos de pensão.


Sobre o caso, o empresário disse a Temer “estar enrolado”. “Aqui eu dei conta de um lado o juiz, dei uma segurada, de outro lado o juiz substituto”. “Tá segurando os dois?”, pergunta Temer. “Segurando os dois”, diz Joesley. “Ótimo, ótimo”, responde Temer.


Sem renúncia

Pressionado pela reação da economia e acúmulo de pedidos de impeachment na Câmara – oito até a noite de ontem –, Temer discursou em cadeia nacional sobre as acusações e negou cogitar renúncia. “Não renunciarei! Repito: não renunciarei! Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos”, disse, em breve discurso de cerca de cinco minutos.

 

As negativas não conteram dia dramático para a economia – com queda de 10% da bolsa e alta de mais de 8% do dólar – e sinais de início, ainda que contido, de um processo de “desmonte” da base do presidente no Congresso.


Após reação do governo, apenas PPS e Podemos (antigo PTN) anunciaram saída da base aliada. Apesar de Bruno Araújo (Cidades) ter inicialmente cogitado deixar o cargo, apenas Roberto Freire (Cultura) entregou o cargo.


Principais siglas da base aliada, PSDB e DEM racharam, com alguns parlamentares cobrando rompimento, mas tom geral pregando “cautela” e espera por novos fatos. (com Agência Estado)


SAIBA MAIS

 

Em reunião fechada com sua cúpula na tarde de ontem, o presidente Michel Temer orientou a equipe a “partir para o enfrentamento” nos próximos dias. A ideia é mostrar que o governo não está acuado com as delações da JBS nem com abertura de inquérito contra ele na Procuradoria-Geral da República (PGR)


Temer pediu “resistência” a partidos aliados, do PSDB ao PP, e cobrou apoio à agenda de reformas. Ele chegou a ser aconselhado a renunciar por dois assessores de sua extrema confiança. "Não sou homem de cair de joelhos. Caio de pé", reagiu.


A portas fechadas, Temer usou termos como "conspiração" e "ação orquestrada" para se referir ao vazamento das delações de Joesley Batista e de executivos da JBS.

 

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