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Especialistas criticam posturas de Lula e Moro em processo

Pesquisadores consultados argumentam que o processo perdeu credibilidade ao longo dos anos pela forma como se comportaram juiz e réu. O discurso político se sobrepôs ao trâmite jurídico
01:30 | Mai. 10, 2017
Autor O POVO
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O julgamento que se encaminha para mais uma importante etapa foi contaminado pelas duas partes e não tem a credibilidade que um processo de tal natureza exige para a opinião pública. No dia do depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro, o assunto do encontro entre réu e juiz fica cada vez mais intenso nas ruas pelas contradições e questionamentos que transpassaram todo o processo.

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O raciocínio é de especialistas consultados pelo O POVO que discutiram o processo investigativo, as estratégias da defesa do ex-presidente e a performance de Moro enquanto juiz do caso.


Chegando ao quarto ano, entre denúncia e investigação, a novela, baseada nas acusações que acabaram transformando Lula em réu na Operação Lava Jato, poderia ter ganhado contornos diferentes do que tomou, segundo o jurista Vladimir Feijó, professor de Direito Constitucional do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais de Minas Gerais (Ibmec/MG).

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A argumentação de Feijó se baseia nas entrevistas que Moro deu à imprensa durante toda a fase da investigação. “O que de fato levanta suspeições da postura do magistrado é que sempre quem é do direito preferia que a justiça não tivesse contato com a mídia. Levanta-se muitas suspeitas”, ressalta.


Por outro lado, o jurista afirma que a defesa de Lula aproveitou a postura do magistrado para criar uma situação de “vitimismo”, reforçando o discurso político em um processo jurídico.


“Ele busca construir a imagem de perseguição aproveitando-se dessa suspeição, dos abusos jurídicos”, completou.


Feijó defende ainda que há “vícios” na Operação Lava Jato por concentrar todos os julgamentos em Curitiba. “O julgamento é para ocorrer no local do crime. Pelo que se sabe, poucos casos de corrupção ocorreram de fato em Curitiba”, finaliza.

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Discurso

O cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Paulo Baía, acredita que a “contaminação” do julgamento se deu pela postura do juiz Moro ao longo do processo.

 

“Juiz não fala para a imprensa, fala no processo”, defende. De acordo com o pesquisador, a postura do magistrado acabou gerando um discurso político em um momento de ebulição com a crise de representatividade acentuada pela aprovação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no ano passado.


“Quanto mais tem exposição, isso é digerido pela população como um discurso político, mesmo que não seja essa a intenção”, argumentou o especialista. (Wagner Mendes - wagnermendes@opovo.com.br)

 

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