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As possíveis saídas para um governo em colapso

2017-05-19 01:30:00
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Apesar do anúncio enfático do presidente Michel Temer (PMDB) de que não irá renunciar, a pressão sobre o peemedebista vinda das ruas, do mercado, da oposição e até da própria base aliada criam um cenário insustentável para o atual governo. Por isso, alternativas sobre o modo como essa eventual substituição deveria se dar e os perfis mais adequados para a missão já são debatidos.


Uma primeira possibilidade, considerada a mais factível, seria a realização de eleições indiretas pelo Congresso, como prevê a Constituição. O presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) assumiria o comando do Palácio do Planalto por 30 dias até a escolha do sucessor, que teria um mandato de transição até o fim 2018.


Entre os nomes já cogitados para a disputa está o do próprio deputado carioca, considerado com boa capacidade de diálogo. Pesa contra ele o fato de também integrar inquérito referente ao recebimento de supostos pagamentos irregulares da Odebrecht.


Outra candidatura apontada com chances seria a da ex-senadora Marina Silva. Desde as primeiras denúncias contra a ex-presidente Dilma que a fundadora da Rede defende a realização de novas eleições. É um dos poucos nomes da política nacional que não está sendo investigado e que teria condições de criar uma coalização com mínimos traços políticos. A falta de clareza sobre determinados assuntos a prejudica.


Quem também aparece com certo respaldo é o ex-ministro Nelson Jobim. Além de ser peemedebista, o que já garantiria importante apoio no Legislativo, já integrou governos do PSDB e do PT. Além disso, tem respeito no Judiciário e trânsito nas Forças Armadas. Como ponto negativo, o fato de ser sócio no banco BTG Pactual, instituição financeira que é alvo da Lava Jato.


Um substituto também especulado é o ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Com sua agenda de reformas, agradaria por demais ao mercado. Seu problema é ter sido presidente da holding que controla a JBS: J&F Participações. O clima de desconfiança seria imenso.


Fora do meio político aparece o nome da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Diante do desgaste que abate quase todas as siglas do País, esse perfil poderia ser mais aceito pela população, principalmente em caso de eleição indireta.


Diretas já?

Seja nas redes sociais, seja nos protestos pelas principais cidades do País, cresce um movimento pró-eleições diretas. A avaliação é que apenas o sufrágio universal poderia acalmar os ânimos do Brasil e garantir legitimidade para o próximo presidente. Entretanto, esse caminho contraria a Constituição, que só prevê participação popular nesse processo até o 2º ano de mandato da chapa eleita. Uma solução seria alterar a lei por meio de PEC.

 

O formato sofre resistências tanto no mundo jurídico como em parte da classe política, principalmente por favorecer discursos personalistas, como os do prefeito de São Paulo João Doria (PSDB), do deputado Jair Bolsonaro (PSC) e do ex-presidente Lula (PT). Esse deverá ser o principal embate dos próximos dias em caso de queda de Michel Temer. Alimentado pelo imprevisível humor das ruas.

 

Ítalo Coriolano

EDITOR-ADJUNTO DE CONJUNTURA

[email protected]

 

Adriano Nogueira

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