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Resposta medíocre a um ataque medíocre

2017-04-29 01:30:00

Guálter George, editor-executivo de Conjuntura


O governo erra na sua avaliação sobre o dia de ontem quando mediocriza sua análise e evita reconhecer a força política da mobilização em várias cidades do País. De outra parte, há equívoco também dos líderes dos protestos contra as reformas trabalhista e previdenciária quando eles buscam supervalorizar o que aconteceu inflando números desnecessariamente. É risível que se fale em 500 mil pessoas nas ruas apenas no Ceará, como a organização local chegou a anunciar. Também caberia a eles maior demonstração de incômodo com o vandalismo e a violência de algumas das ações que cercaram o evento. A postura de ambos ajuda muito a explicar as razões do debate político ser tão rasteiro no Brasil, evitando-se que grandes momentos, como poderia ser entendido essa sexta-feira histórica, gerem discussões de alto nível sobre o que está em jogo e o futuro que ele ajuda a desenhar. Caberia a Temer, seus ministros e os parlamentares aliados buscarem compreensão mais profunda sobre o que move as pessoas contra a agenda instigante que decidiu levar ao Congresso. Ao invés disso, correu-se à desqualificação, focando nos desvios do movimento que levaram à radicalização em muitas regiões. Uma parte reprovável, merecedora de todas as críticas, mas apenas uma parte do processo. Muita gente está na rua porque legitimamente preocupada com um processo cujos prazos vão sendo atropelados sem qualquer atenção à necessidade de esmiuçar dúvidas e ganhar a opinião pública pelo convencimento e não pela força. Os erros de parte a parte acabam sendo um mal para o País na medida em que lhe negam uma oportunidade real de discutir as razões de precisarmos efetivamente de mudanças estruturais para superação da maior crise econômica que o Brasil já enfrentou.

Adriano Nogueira

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