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Citado na Lava Jato, Eunício diz ser perseguido por "defender pobres"

01:30 | 10/04/2017

Citado em depoimentos da Odebrecht na Operação Lava Jato, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), negou qualquer irregularidade e disse neste sábado ser alvo de perseguição política por “defender pobres”.


Se esse for o preço a pagar, eu estou pronto, sem medo de andar de cabeça erguida. De olhar no olho do meu filho, das minhas filhas, e poder dizer: ‘Seu pai está sendo alvejado porque defende pobre’. Porque ninguém quer defender pobre neste País”, disse Eunício, durante evento do PMDB em Limoeiro do Norte, a 198km de Fortaleza.


Em seu discurso, o senador destacou ainda nunca ter sido alvo de processos na Justiça. “Tenho 64 anos de idade, faço agora em setembro, e nunca tive um cheque sem fundo, nunca tive um inquérito. Nunca tive nada, nunca nem passei em uma delegacia”, disse.


Neste sábado, a revista Veja divulgou que uma nova delação, do ex-diretor José de Carvalho Filho, teria revelado pagamento de R$ 2,1 milhões em propinas para Eunício. O depoimento, que seguiria sob sigilo de Justiça, contaria inclusive com provas, incluindo registro de ligações entre o representante da empreiteira e um sobrinho do presidente do Senado Federal.


Na primeira delação da Odebrecht tornada pública, o executivo Cláudio Melo Filho disse ter pagado propina a Eunício, em duas parcelas de R$ 1 milhão, entre outubro de 2013 e janeiro de 2014. O dinheiro iria para campanha do peemedebista ao governo do Ceará em 2014, em contrapartida por apoio a medidas que beneficiavam a empreiteira no Congresso. Em março, empresas do senador foram alvo de ação da Polícia Federal.


Eunício, por outro lado, nega todas as irregularidades e diz confiar que o processo legal comprovará sua inocência. Ele destaca que todas as doações de sua campanha de 2014 no Ceará seguiram trâmite legal e foram declaradas à Justiça. (Carlos Mazza)

Adriano Nogueira

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