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A briga pelas águas

01:30 | 11/03/2017

Henrique Araújo, editor-adjunto de Conjuntura


Se a eleição de 2018 já começou, um de seus principais temas será o da transposição do rio São Francisco - o outro será inevitavelmente a Lava Jato. Nacional e localmente, as obras terão papel central no debate político, não apenas porque se arrastaram ao longo de décadas e seguiram inconclusas por muitos anos, mas pelo potencial de votos que representam. Não por acaso, a transposição coloca em margens opostas os governos Dilma/Lula (PT) e o do peemedebista Michel Temer, numa queda de braço agora escancarada por sua paternidade. Embora reafirme a obviedade de que se trata de obra pública porque bancada com recursos do contribuinte, o presidente sabe que o investimento é uma boia de salvação na tentativa de tentar reverter sua baixa popularidade no Nordeste. Essa movimentação política também se reflete no xadrez político cearense. Para o governador Camilo Santana (PT), é importante que não se consolide na transposição o carimbo de obra do PMDB. Do contrário, o petista verá seu adversário direto, o presidente do Senado Eunício Oliveira , chegar com discurso forte para a corrida ao Palácio da Abolição. Para o peemedebista, além do trunfo da aliança nacional - as forças no comando do Planalto estarão a seu lado -, a finalização das obras na gestão de Temer representa munição potente. Mesmo antes de seu encerramento, a transposição já se politizou. No ano que vem, então, as águas do Velho Chico banharão o horário eleitoral e as contendas na TV.

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