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Reação política não deterá Lava Jato, dizem especialistas

Apesar de escolha de citados para cargos-chave no Congresso, políticos terão dificuldades de frear as investigações, que possui apoio popular
01:30 | Fev. 11, 2017
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Isabel Filgueiras

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A Lava Jato tem chegado cada vez mais perto de atingir políticos do primeiro escalão. Em movimento de contra-ataque, a cúpula do poder nomeou aliados para cargos-chave e criou leis para tentar escapar da operação.

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Para especialistas ouvidos pelo O POVO, porém, as jogadas de poder não serão capazes de frear a investigação, conduzida pela força-tarefa de Curitiba.

[SAIBAMAIS]

A indicação de Alexandre Moraes para o Supremo Tribunal Federal causou desconforto em parte da sociedade. Ministro licenciado, Moraes já foi advogado do ex-deputado Eduardo Cunha, um dos presos provisórios da Lava Jato. Filiado ao PSDB, Moraes tem bom currículo acadêmico, mas sua militância e ocupação de funções políticas levantaram dúvidas sobre a capacidade de isenção dele dentro do STF.


Para o cientista político da UFRJ, Paulo Baía, todas as nomeações do Supremo são políticas. Baía argumenta que apenas um ministro não teria força para barrar a Lava Jato, já que as decisões são colegiadas na alta corte.


“A quantidade de gente contra a Lava Jato é muito grande, mas ela continuará. Ela chegou num ponto que não tem retorno”, explica.


Em outra frente da zona de combate, políticos tentaram enfraquecer o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O plenário da Câmara aprovou, na última semana, trâmite em urgência de projeto de lei que alivia punições a partidos que tiverem contas rejeitadas ou não apresentadas.


A operação também investiga o modus operandi de partidos que trocavam doações de campanha por benesses políticas a empresas e setores.


Depois das críticas à proposta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que o texto não seria votado sem acordo. A eleição dele e de Eunício Oliveira para Senado, ambos citados em delações, mostra que os políticos continuam com influência para interferir no resultado do jogo.


A escolha do senador investigado Edison Lobão (PMDB) para presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado entra no leque de estratégias do sistema político para tentar se blindar da operação. Outros nove citados também ocupam vagas na CCJ.


Para o cientista político do Ibmec, Adriano Gianturco, a Lava Jato não será detida, mas também não irá prender todos. Em algum momento, haverá, sim, negociação e ela terá de acabar.


“Isso é inevitável, não desejável. Independente de quem será ministro etc., isso vai acontecer. Assim funciona o mundo. Alguém terá de sobrar para governar”, concluiu.

 

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