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PMDB ameaça Audic de expulsão caso vote contra o partido

Presidência da sigla vê Audic Mota como "ovelha negra" e espera apenas descumprimento de orientação para abrir processo contra o deputado, que tem se aproximado cada vez mais da base de Camilo
01:30 | Fev. 25, 2017
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O PMDB lançou a sorte do deputado estadual Audic Mota: caso o parlamentar vote contra os interesses da legenda na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), estará sujeito a processo de expulsão.


Até há pouco uma das vozes mais atuantes da oposição na Casa, Mota tem se aproximado gradativamente da base do governador Camilo Santana (PT) na Assembleia Legislativa.


Para o presidente da sigla na Capital, o ex-vice prefeito de Fortaleza Gaudêncio Lucena, o deputado é uma “ovelha negra” no partido. “No dia em que o bloco (na AL) resolver fechar a questão e ele (Audic) votar contra, aí, sim, tem motivo (para expulsão)”, garante Lucena.

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Para o deputado ameaçado, porém, o “bloco” de parlamentares, do qual o PMDB faria parte na Casa, não existe. “Qual bloco? Não existe bloco de uma pessoa”, questiona Audic. Para ele, porém, qualquer decisão tomada pela maioria do partido será acatada.


“Quem não estiver à vontade para votar, pode exercer seu livre direito de não participar das votações ou se manifestar de forma contrária, desde que plenamente justificável. Não somos robôs ou repetidores de vontades de quem quer que seja”, sugere o peemedebistas.


Briga interna

O questionamento de Mota é uma crítica indireta ao atual líder do bloco PMDB-PSD-PMB, Leonardo Araújo (PMDB), para quem o correligionário, ex-líder do bloco, ainda se sente no posto para fazer juízo.


“O Audic ainda não assimilou que a liderança não é mais dele. É minha. Existe um novo líder”, disse Araújo.


Segundo ele, o bloco está “oficialmente formado”, com assinatura de nove dos 11 deputados, com apenas “Audic e Osmar Baquit (PSD) que não aceitaram” a criação do grupo. Para o deputado, a “infidelidade” de Mota começou na eleição da Mesa Diretora da AL, em dezembro de 2016.


Ele afirma que, de lá para cá, Audic está “indo de encontro aos interesses” do partido e que, por essa razão, deveria sair da legenda.


De acordo com Danniel Oliveira (PMDB), sobrinho do senador Eunício Oliveira (PMDB), Audic Mota está em um período de observação. “Não vamos admitir que nós do PMDB sejamos constrangidos. Se o deputado não estiver na linha, que ele saia ou o partido vai tomar as medidas necessárias”, ameaçou.


Contudo, Audic parece ter ganho poder de barganha ao assumir o cargo importante de primeiro secretário na Casa, “o maior a que o partido concorreu” e um “órgão com a maior carga de atribuições da Mesa Diretora”, segundo ele mesmo diz. Ainda assim, Gaudêncio fala que o parlamentar “tem tudo para sair do partido”.

 

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Agenor Neto (PMDB)

Outro que flerta com a base aliada ao Governo do Estado é o deputado estadual Agenor Neto (PMDB) – que nesta semana conseguiu a presidência da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público por indicação do governo. Para o líder do bloco PMDB-PSD-PMB, Leonardo Araújo, a situação dele é mais confortável, quando comparada à de Audic Mota. “Ele não nos constrangeu. Ele não criou bloco, mas depois ele anuiu, aceitou por questão democrática, veio participar“, diz, admitindo que Agenor “tem comportamento de situação”, mas que “respeita os membros do partido”. Entretanto, Araújo acredita que exista a possibilidade de Agenor Neto deixar o partido em um futuro próximo – mas, curiosamente, “não para o PDT ou base governista”. “Acho que ele vai pro PSDB porque tem ligação com Tasso Jereissati (PSDB).” Para Gaudêncio Lucena, a proximidade de Agenor com o governo é “incompreensível”, visto que nas eleições municipais de 2016 em Iguatu, território de Agenor, foi “triturado politicamente”. “Como você é escrachado na campanha, destruíram seu grupo político, termina a eleição e se entrega aos seus algozes? Não consigo entender. É o canto da sereia: as benesses do governo”, diz.

 

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