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Uma carreira política marcada pelo pragmatismo

2017-01-18 01:30:00
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Daniel Duarte

ESPECIAL PARA O POVO

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Eliana Gomes (PCdoB) não é forasteira na Câmara Municipal de Fortaleza. A veterana exerceu mandato entre 2008 e 2012, mas não conseguiu se reeleger para o quadriênio seguinte – episódio que se repetiu também no pleito de 2016. Entretanto, Eliana sempre conseguiu um posto político por intermédio do partido, ao qual é filiada há “mais de 25 anos”. Em 2013, não reeleita, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor) – pasta em que já havia trabalhado na gestão de Luizianne Lins (PT) –, após ter sido cogitada troca com o correligionário eleito Evaldo Lima (PCdoB) – que assumiria secretaria municipal para posse da suplente na Câmara. A troca que não aconteceu outrora foi realidade este ano.


Evaldo assumiu a Secretaria de Cultura e Eliana toma seu lugar, como primeira suplente. Sempre esteve na política e, ao que tudo indica – e é seu desejo –, deve continuar assim, com cadeira cativa – até porque não esconde intenção de ser sempre aliada da base governista, como foi com Luizianne e Roberto Cláudio (PDT). “Quero contribuir todos os dias com a luta do povo, com uma política sem clientelismo”, diz.


Confira a entrevista da série do O POVO que apresenta os novos vereadores da Câmara Municipal de Fortaleza.


O POVO - A senhora já tem uma história política e base eleitoral definida. Que pautas deve-se esperar da senhora?

Eliana Gomes - Chego com uma experiência muito maior do que quando saí daqui. Venho de uma base social que tem vontade de fazer o que é melhor pra Cidade, dentro das políticas públicas. Pra este mandato, realizamos uma plenária popular, onde muitos queriam mais comunicação e pautar a questão das drogas com mais força – e é um dos projetos que vamos ter. Vamos lutar para que as políticas públicas estejam mais próximas das periferias, porque eu sei que a droga tá em todos os locais, em todas as famílias, todas as camadas, mas a mais sofrida é a que não pode pagar uma clínica com bons profissionais pra cuidar bem. Queremos levar cultura para os bairros, para estar junto com as comunidades, que tem muita coisa boa pra se aproveitar – hip hop, esportes radicais. Essa questão está tão séria que, na área onde moro, por exemplo, todos os dias uma mãe bate na minha porta pra conversar e pedir projetos para o filho ter acesso ao cuidado para ele sair das drogas. Tem mães perdendo os filhos muito cedo. Temos que reforçar e fazer legislação que saia do papel e funcione, que crie rede de atendimento digno. Também precisamos ver os espaços públicos como positivos, pra população que muitas vezes não tem acesso. Muita gente hoje já tem, com academia livre nas praças, que ajuda as mulheres, os idosos. A população quer mais.

OP - A senhora foi da base de Luizianne e é da base de RC. Como se dá essa transição?

Eliana Gomes - Fui da base da Luizianne mas nunca deixei de apoiar as bandeiras dos movimentos sociais. Aqui tem base de oposição e aliada. Nós somos aliados. Agora, minha conduta é de abrir o diálogo e levar as pessoas aos órgãos que resolvem. Precisamos construir junto nas comissões, que é onde a mudança acontece. Acho que a oposição também tem que pensar que o povo quer ter resultado.

OP - Então, é saudável ser sempre da base aliada, na sua opinião?

Eliana Gomes - Não é nem “saudável”: é ter oportunidade de ajudar a população a chegar mais próximo do poder. Eu me dou muito bem com a base de oposição. A questão não é ser oposição por ser oposição ou aliado por aliado. Hoje a população quer um resultado da nossa parte. Não adianta querer dizer que vai “resolver tudo”, “vou salvar o mundo”. Tem que chegar e dizer.

 

OP - A senhora considera que seguirá a carreira política? É uma privilegiada, por ter sempre garantia de um posto no governo sendo reeleita ou não, por acordos e troca de cargos?

Eliana Gomes - Já estou com 54 anos. Acho que vai chegar um dia que vou dizer “não, já fiz a minha parte”. Mas quero contribuir todos os dias com a luta do povo, com uma política sem clientelismo. Mas claro que um dia também tem que ter a renovação. Nossa contribuição em campanha é de muita lealdade. Não fazemos troca. Temos lado, não ficamos em cima de muro. O Evaldo fez um trabalho grande aqui; foi o líder do prefeito. Deu grandes contribuições aqui e vai dar grandes contribuições lá na Secretaria de Cultura. Não pedimos troca ao prefeito e ao governador: fomos chamados pela direção municipal e estadual pra conversar. E nos colocamos politicamente também. O meu camarada Evaldo também demonstrou interesse de experiência no executivo. E ele tem planos para o futuro. Vem aí eleições pra deputado estadual. Eu quero “Diretas Já”. Por isso estamos indo às ruas. Não quero pra minha filha cargo comissionado ou terceirizado. Quero concurso público, que é o que defendo, para as pessoas terem vida longa.

 

SERVIÇO

 

Como entrar em contato com Eliana Gomes

Internet: fb.com/ElianaGomesPCdoB

Gabinete: 11 (Rua Dr. Thompson Bulcão, 830)

Telefone: (85) 3444.8301

 

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Adriano Nogueira

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