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Filho de ex-vereador tenta ser renovação na Câmara

2017-01-17 01:30:00
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Daniel Duarte

ESPECIAL PARA O POVO

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Paulo Martins (PRTB), 30, sempre acompanhou o pai “nas campanhas e também na Câmara”. Advogado e escrivão da Polícia Civil, não vê problemas na associação com o pai Adelmo Martins (PDT) e admite que sua carreira política “talvez” só exista pela filiação e que se trata de uma continuidade do trabalho do pai, em certo nível, mas nega “oligarquia”. “ É algo de pai para filho, sim, mas não é com essa intenção de construir oligarquia ou construir poder. Acredito que se você está envolvido naquele meio, acaba criando gosto e vontade de contribuir”, argumenta.


Não havia decidido se candidatar anteriormente por considerar que ainda precisava “amadurecer” e, em 2016, foi eleito já na primeira campanha. Bacharel em Direito, quer ser representante da categoria da saúde – onde enxergou maior base eleitoral, apesar de nenhuma ligação pessoal ou profissional, apenas pelo nome de seu pai, que era médico.


Confira a entrevista da série do O POVO que apresenta os novos vereadores da Câmara de Fortaleza.


O POVO - Que pautas terão maior atenção do senhor durante o mandato??

Paulo Martins - Os principais apoios que recebi foram da área da saúde, embora eu seja formado em Direito. Tenho dito que não quero ser um vereador monotemático. Temos que trabalhar a educação, que é o que vai mudar a médio e longo prazo o País; políticas voltadas pra juventude e o primeiro emprego. Realmente senti na época de campanha a falta de perspectiva do jovem. Termina o ensino médio e aí ficam vagando. Não conseguem o primeiro trabalho por não terem experiência. Estou elaborando alguns projetos nessa área para, junto com a prefeitura, dar oportunidade a determinados jovens, a terem experiência e serem inseridos no mercado de trabalho. É preciso geração de emprego e renda, não só para os jovens. Nossa cidade tem um potencial muito grande a ser explorado na área do turismo. Temos uma orla belíssima. O Centro da Cidade também deve ser mais explorado, o turismo cultural, histórico.

OP - Muitos vereadores novos dizem ter apoio da área de saúde, apesar de não fazerem parte dela. O senhor acha que a categoria está muito politizada?

Paulo Martins - Assim como o Governo do Estado enfrenta grandes dificuldades na segurança, o desafio do município é dar saúde de qualidade. É a área que mais carece de atenção. Tenho procurado visitar os hospitais. O prefeito deu uma atenção no primeiro mandato, penso eu, à saúde primária, nos postos de saúde. Foram construídos novos postos e se tenta regularizar os medicamentos. Agora, vai se dar uma ênfase à saúde secundária, nos hospitais. Conheço médicos, profissionais, diretores, e vou buscar melhorias de equipamentos.

OP - O que o senhor herda do pai, que teve seis mandatos na Câmara? Pretende ter carreira política longa como ele?

Paulo Martins - Além da influência política, a probidade. Ele sempre agiu com ética com os colegas. Exerceu cargo executivo, como secretário de saúde do município (SMS) e saiu com nenhum arranhão, pela porta da frente. E a preocupação com as pessoas. Meu pai passa os quatro anos preocupado, e não só nas campanhas. Ele vê um poste sem iluminação, ele se preocupa, com as pessoas e com os bairros, com a melhoria da qualidade de vida dos fortalezenses. Sendo bem sincero, o primeiro passo aqui foi dado, como vereador. Eu contribuindo aqui com a Cidade, pretendo realmente galgar outros cargos. Mas vai depender da minha desenvoltura. Se eu sentir que não estou contribuindo, com mandato relevante, não me candidato nem à reeleição. Nesse momento de grande dificuldade do País, estamos aqui realmente pra fazer a diferença. Principalmente os jovens. A gente precisa dar um pouco acima do 100%.

OP - Ao senhor, certamente, já foi oferecido cargo no executivo. Por que nunca aceitou?

Paulo Martins - É, eu nunca quis. Pela minha profissão… Eu estava bem, advogando, e achei que poderia comprometer. Estava tranquilo onde eu estava. Procurei acompanhar meu pai nas visitas, inauguração de obras, encontros. Agora pretendo me dedicar 100% aqui.

OP - Muitos novos vereadores têm parentesco político – ao menos seis deles. O senhor é mais um caso. Acha saudável essa continuação de poder? É formação de oligarquia?

Paulo Martins - Acredito que se você está envolvido naquele meio acaba criando gosto e vontade de contribuir. Não foi do nada, foi através do meu pai. Vendo essas mudanças acontecendo nos bairros, os benefícios, dá vontade de prosseguir e mostrar meu trabalho. Vemos tanta coisa ruim na política, que tentamos mostrar alguma coisa, como político novo e diferente. Mas se não fosse meu pai, não sei se me candidataria. É algo de pai para filho, sim, mas não é com essa intenção de construir oligarquia ou poder. Vou procurar fazer o meu trabalho. Fiz modificações na equipe (de gabinete), que não veio só dos 24 anos do meu pai na Câmara, para fazer tudo do meu jeito. Obviamente a experiência dele conta muito.

 

SERVIÇO

 

Saiba como entrar em contato com o vereador Paulo Martins (PRTB)

Site: fb.com/paulomartinsoficial

Gabinete: nº 3 (Rua Dr. Thompson Bulcão, 830)

Telefone: (85) 3444-8365

 

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Adriano Nogueira

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