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Dia recheado para cearenses no governo Bolsonaro

15/07/2019 23:15:18
?General e Mayra: candidatos tucanos entram no governo
?General e Mayra: candidatos tucanos entram no governo (Foto: DIVULGAÇÃO)

O Ceará tem sido abastadamente aquinhoado no novo governo, para um estado que deu 28,9% dos votos ao presidente eleito (Fernando Haddad teve 71,1%) e, no 1º turno, havia sido o único em que Jair Bolsonaro (PSL) foi terceiro colocado. Foram anunciados ontem três cargos.

Todos foram candidatos pelo PSDB nas últimas eleições. Coincidência? Não costumo acreditar nesse tipo de coisa, ainda mais em distribuição de cargo em governo.

A posição mais relevante será do general Guilherme Theophilo, que se desfiliou do partido no momento em que as conversas para entrar no governo afunilaram. Mayra Pinheiro e Danilo Forte ainda são tucanos.

O significado do movimento
para a oposição no Ceará

Pode soar paradoxal dar cargos onde Bolsonaro foi mal. Todavia, politicamente, faz mais sentido que contemplar aliados onde foi bem. O movimento fortalece a oposição num estado e numa região governados pelo PT e onde o presidente eleito foi muito mal. Como disse, pode até ser coincidência, mas é improvável. Bolsonaro agiu com método em toda a campanha. Jogaria aleatoriamente logo na hora de compor o governo.

O movimento, politicamente, faz todo sentido. Bolsonaro venceu uma eleição. Mas, para consolidar hegemonia, precisa avançar justamente em suas fraquezas e nas fortalezas inimigas. As indicações soam como sinalização de uma investida do futuro governo sobre o Nordeste.

São quatro cearenses em posições de destaque. Mansueto Almeida segue secretário do Tesouro Nacional. É técnico. Mayra diz ser indicação técnica - e tem tal perfil. O general até saiu do partido para se distanciar. Os dois, porém, foram candidatos dois meses atrás. Políticos se tornaram, pois sim, e a indicação de ambos não é destituída dessa significado. Danilo, então, esse é político da velha escola.

Não dá para dizer que significa a entrada do PSDB no governo Bolsonaro, até porque o presidente não tem negociado nesses termos. Mas, é muito curioso o anúncio de três ex-candidatos tucanos no mesmo dia.

Mais ainda quando se considera que o líder tucano no Ceará, Tasso Jereissati, tem feito reiteradas críticas a Bolsonaro.

General chamou candidato de Bolsonaro de "lunático"

Há muitos aspectos curiosos na escolha do general Theophilo para a Secretaria Nacional da Segurança Pública. O cargo hoje é um ministério. O posto será um dos mais estratégicos dentro da superpasta de Sérgio Moro.

O general protagonizou, com o candidato de Bolsonaro no Ceará, o que foi talvez o momento mais quente dos debates eleitorais no Estado. Foi na TV Verdes Mares. Hélio Góis (PSL) disse que o general não é "militar raiz", por ser a favor do desarmamento e ligado ao socialismo - no caso, socialismo é o PSDB. "Um militar raiz não apoiaria (Geraldo) Alckmin, e sim Bolsonaro", disse Góis.

Theophilo ficou furioso. Passou descompostura em Góis, a quem tratou como "garoto": "Tome vergonha. Vem querer falar de militar raiz para um general de quatro estrelas?". Disse ainda que Hélio Góis é "lunático" a falar "asneiras". Acrescentou sentir vergonha de tê-lo como adversário.

O general e Camilo

Quando Michel Temer (MDB) criou o Ministério da Segurança Pública, a situação de dois estados eram os principais motivos: Rio de Janeiro e Ceará. Um dos principais equipamentos sob gestão do general tem inauguração marcada para este mês, em Fortaleza: o Centro Integrado de Inteligência do Nordeste. Será interessante a relação do secretário com o governador que o derrotou. Volto ao assunto amanhã.

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