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Mais barata, pesquisa por telefone divide especialistas

| CREDIBILIDADE | As sondagens por telefone incrementaram o mercado e influenciaram as estratégias. Resultado eleitoral deste ano, pode influenciar na consolidação da metodologia

26/05/2019 13:01:22
Brazilian presidential candidate Jair Bolsonaro (PSL), speaks during the first presidential debate ahead of the October 7 general election, at Bandeirantes television network in Sao Paulo, Brazil, on August 9, 2018. (Photo by Nelson ALMEIDA / AFP)
Brazilian presidential candidate Jair Bolsonaro (PSL), speaks during the first presidential debate ahead of the October 7 general election, at Bandeirantes television network in Sao Paulo, Brazil, on August 9, 2018. (Photo by Nelson ALMEIDA / AFP) (Foto: AFP)

A campanha eleitoral no Brasil contou com grande volume de pesquisas de intenção de voto feitas por telefone. Mais barata, a metodologia costuma ter resultados questionados por especialistas por desconsiderar fatia populacional que ainda não tem acesso a telefone.

Com tantos resultados divergentes divulgados ao público sobre a disputa eleitoral deste ano, surge o debate sobre a confiabilidade do método em relação aos dados coletados presencialmente. A depender do resultado que as urnas apresentarem no próximo domingo, a consulta telefônica tende a se consolidar como metodologia nos próximos pleitos.

O professor da UFC Valmir Lopes acredita que, com custo mais baixo, a pesquisa telefônica deve ser mais utilizada daqui para frente. "O custo é ínfimo. E o que se sabe é que ultimamente ela é tão confiável quanto essa presencial", afirma.

O cientista político Fábio Wanderley Reis, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, discorda. Para ele, ainda não é possível atestar a confiabilidade das entrevistas por telefone. "As pesquisas telefônicas tendem a ser rápidas, inclusive, em alguns casos, sem usar entrevistadores propriamente. Um sistema eletrônico é que faz a pergunta e registra. No geral, isso torna essas pesquisas menos confiáveis", explica.

O Conselho Federal de Estatística divulgou nota, em julho deste ano, descrevendo as vantagens e desvantagens das pesquisas telefônicas. O custo e rapidez na coleta de dados são apontados como fatores benéficos, enquanto a maneira como é formado o cadastro de telefones das pessoas a serem entrevistadas é apontada como um problema, já que muitos números não corresponderiam a eleitores ou um mesmo eleitor pode portar mais de um número, além dos eleitores que não possuem telefone algum, sobretudo os das classes D e E.

"Na pesquisa por telefone o cálculo da margem de erro e do nível de confiança perde credibilidade devido à fragilidade da base estatística usada na seleção da amostra. (...) A amostra é obtida por simples sorteio de números de telefone num certo 'cadastro de telefone'", explica a nota.

Publicada para normatizar as pesquisas eleitorais, a resolução 23.549, do TSE, é omissa sobre o método de apuração. A ligação robotizada não é proibida. A única restrição, no dia da eleição, é quanto ao horário de publicação das pesquisas. A sondagem conhecida como boca de urna só pode ser divulgada após o término da votação em todo o país, ou seja, quando fechar a última urna no Acre, que tem duas horas de diferença do fuso de Brasília.

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Luana Barros

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