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O rosto da diversidade

O The Fashion Awards, considerado o Oscar do mundo da moda, escolheu a modelo e ativista feminista britânica-ganesa Adwoa Aboah como a modelo do ano por seu impacto global para além da cena fashion

00:00 | 24/12/2017
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O rosto da moda é o dela. Adwoa Aboah, de 25 anos, que não por acaso fecha as edições do ano da Vogue UK e é a vencedora da categoria Modelo do Ano do The Fashion Awards, premiação da moda armada pelo British Fashion Council (BFC) em parceria com a Swarovski. Adwoa concorria com as irmãs Hadid (Bella e Gigi) e com a também queridinha do momento Kaia Gerber, 16, filha da supermodelo Cindy Crawford, 51.


Citar o nome da princesinha leva-nos ao caminho que a “nova moda”, no mundo, entende, hoje, e quer escrever a partir de então.

O rosto de Adwoa Aboah como a modelo mais notória de 2017 evidencia uma decisão, talvez madura da moda, mais do que nunca baseada em histórias inspiradoras. Não que Kaia, de 16 anos, não tenha seu brilho.


Mas apesar de ela ter vivido seu início na cena fashion internacional, foi Adwoa, com sua beleza enigmática e relato de superação pessoal por trás, que conquistou alcance e marcou a pauta da diversidade e a do protagonismo real de histórias reais, este ano, na cena fashion, e na beleza.

Lembra-se do inverno 2017 da Dior? “Queria um grupo de meninas muito diferentes entre si”, disse Maria Grazia Chiuri, a diretora criativa da Maison, que escalou além da britânica-ganesa Adwoa Aboah, a cearense Aira Ferreira, natural do Crato, para compor o casting, na época.


PONTO DE PARTIDA


A modelo de cabeça raspada já assumiu muitas identidades até renascer novamente com o ano de 2017. Filha de nomes respeitados no campo da fotografia de moda e do agenciamento de modelos, Adwoa Aboah, claro, viu-se desde cedo mergulhada por estas referências. “Comecei a trabalhar como modelo aos 12 anos, mas não me sentia confortável em meu próprio corpo”, contou à Vogue Brasil. O desconforto piorou em 2014, quando Adwoa passou por sua fase mais sombria, era dependente química, além de depressiva.

“Tinha a sensação de que estava vivendo a vida de uma outra pessoa e não a minha”, confessou em entrevista à i-D. A fase difícil na vida da modelo foi superada com a ajuda de diálogos abertos que, mais tarde, dariam origem ao Gurls Talk, plataforma digital fundada por ela para promover a discussão entre mulheres sobre autoimagem, saúde mental e sexualidade. “Meu objetivo é fazer com que as meninas possam passar um tempo com mulheres com as quais elas podem se espelhar”, orgulha-se, hoje, à revista britânica.


EM ALTA


Em 2017, a moça do look romântico decadente de um jovem estillista, o nova-iorquino Conner Ives, para o Met Gala, em maio, contou com muitas surpresas (boas). A capa da Vogue UK, posou para o calendário Pirelli, foi uma das tops mais disputadas da última temporada de desfiles e também se tornou rosto de marcas como Marc Jacobs Beauty e H&M. Já foi dito que ela é uma das 500 personalidades mais influentes da moda, pelo Business of Fashion (BoF)? De olho em @AdwoaAboah no Instagram, onde a famosa ultrapassa os 470 mil seguidores!

JULLY LOURENÇO

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